Fratura do ombro ( úmero ) – tratamento com diferentes tipóias

 A fratura do úmero na sua parte superior ( que chamamos de úmero proximal ) é uma fratura bastante frequente , podendo acometer todas as faixas etárias . Nas crianças e adultos jovens normalmente ocorre em traumas de maior energia ( quedas de bicicleta , de moto , de cavalo ) . Nas pessoas mais idosas , muitas vezes traumas banais, como quedas em casa , nas calçadas , podem levar um osso mais poroso a ser fraturado .

Existem diferentes tipos de fraturas nesta região , tipos esses relacionados ao número de fragmentos do osso fraturado e se houve desvio entre eles. Basicamente , quando os fragmentos estão muito distantes uns dos outros  , a tendência e que seja indicada uma cirurgia. Por outro lado , quando o desvio é mínimo  , a tendência é que o ortopedista opte por um tratamento não cirúrgico ,que chamamos de tratamento conservador.  Meu objetivo neste artigo não é discutir as classificações nem indicações de tratamento .  Meu objetivo é de expor um princípio que aprendi assistindo uma aula recentemente num congresso em Nice , explicitado abaixo.

O tratamento conservador mais usado é a utilização de uma tipoia simples , como a figura abaixo exemplifica .

tipoia comun

Tradicionalmente , deixamos o antebraço  imobilizado junto ao abdômen por 4 a 6 semanas . Porém , através de estudos em cadáveres , em casos clínicos e estudos radiográficos , observou-se uma melhora da posição dos fragmentos quando a posição do antebraço era diferente , como mostrado abaixo. Isso acontece por conta dos músculos e tendões que estão presos ao úmero  , promovendo alinhamento ou desalinhamento dependendo da posição de imobilização .

 tipoia funcional

Desta forma , seria indicado este ultimo tipo de tipoia para uma consolidação mais adequada . A radiografia , que e feita periodicamente para confirmar a consolidação óssea , deve ser feita com a tipoia e poderá ratificar este principio .

Congresso de ombro na França – Nice

Entre os dias 5 e 7 de junho passado estive num congresso de ombro  na belíssima cidade francesa de Nice ,  na parte sudoeste daquele pais . O congresso , organizado pelo prestigiado professor Pascal Boileau , contou com a presença de quase 1000 médicos de todo o mundo . Estávamos em quase cinquenta brasileiros e pudemos discutir as últimas novidades da Ortopedia no que se refere aos problemas do ombro.

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Desde novidades anatômicas , passando também  pelos quadros de instabilidade do ombro ( luxação ) , de lesões do manguito rotador ( tendão  ) , de desgaste ( artrose ) e de fraturas que acometem esta área , os professores puderam difundir novas técnicas , novos conceitos e amadurecer um conhecimento que vem aumentando ano a ano .

Foram comentadas cirurgias realizadas e transmitidas ao vivo , quando os participantes  puderam observar detalhes , dicas e aprender como evitar complicações nos procedimentos  .

congresso

Foi um congresso bastante interessante e enriquecedor , já que a medicina francesa rivaliza em qualidade com os melhores centros americanos , com alguns pensamentos diferentes destes , que nos ajudam a compreender melhor a CIRURGIA DO OMBRO.

Além do aspecto acadêmico , pude também aproveitar e esticar um pouco a viagem e conhecer esta região belíssima . Tive a oportunidade de  conhecer lugares como Cannes , Antibes , Aux-en-Provence , Saint Paul de Vence e Monaco . A gastronomia local foi também um ponto de destaque desta viagem . Certamente é um destino que merece ser conhecido .

 

Recorrência (recidiva ) da luxação do ombro – fator etário

 

O ombro é uma das articulações que mais saem fora do lugar ( luxação , deslocamento  ) . E também apresenta uma característica peculiar no que diz respeito a ocorrência de recidiva (recorrência ) depois que houve o primeiro episodio : existe uma chance alta de o paciente apresentar um segundo ou múltiplos episódios subsequentes .

Quando a primeira luxação ocorre em pacientes abaixo dos 20 anos , a chance de recidiva é  altíssima , beirando a taxa de  90 % . Isso ocorre por conta de uma maior frouxidão tecidual destes pacientes , pelo tipo de lesão que acontece internamente no ombro após a primeira luxação e também porque estes pacientes estão mais sujeitos a atividades que colocam a articulação  sob risco de novo trauma . Este dado é importante e ajuda os médicos na indicação de cirurgia de estabilização para este grupo : é sensato indicar a cirurgia tão logo ocorra a primeira luxação , não se esperando que um segundo evento aconteça , esperando que um tratamento fisoterápico ou um um fortalecimento muscular resolva o problema.

Em contrapartida , pacientes acima dos 40-45 anos que sofrem seu primeiro deslocamento do ombro , tem uma chance menor de recorrência. Isso é explicado por uma maior ” rigidez ” articular neste grupo etário , porque este grupo normalmente ter uma demanda menor de atividades e também porque as lesões internas decorrentes da lesão são ligeiramente  diferentes daquelas dos mais jovens . Em pacientes mais velhos , acima dos 60 anos , a chance de ruptura de algum tendão do  manguito rotador ocorrer após uma luxação é  grande , o que pode modificar o tratamento .

O médico , sabendo destas estatísticas , poderá tomar uma decisão mais sábia . Obviamente que alguns pacientes mais jovens podem não necessitar de cirurgia e se beneficiar com o tratamento fisioterápico , da mesma forma que alguns pacientes mais idosos podem ter que fazer cirurgia para correção de uma instabilidade incapacitante. A experiência do médico e a análise cuidadosa de cada paciente determinam o tipo de tratamento .

Livro sobre artroplastia total do joelho

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Acabei de ler um interessante livro sobre o balanço ligamentar na artroplastia total do joelho ( prótese de joelho )  .

Acrescentou-me alguns conceitos interessantes numa das cirurgias mais realizadas na ortopedia .

Através destes conceitos, o sucesso da cirurgia fica mais fácil de ser atingido . Vale a pena conferir ,  para aqueles que tem na sua rotina a realização deste procedimento . Apresenta uma visão francesa , bastante respeitada no mundo.

Seguem no link maiores detalhes do livro .

Cotovelo do tenista ou epicondilite lateral : dicas

Como ortopedista e como praticante de tênis , estou muito acostumado com esta ” doença ”  , também chamada de tennis elbow.
A epicondilite lateral é  bastante comum entre os praticantes desta modalidade e é difícil de encontrar um tenista amador que nunca tenha sentido algum tipo de dor no cotovelo .
Darei algumas dicas a seguir , baseados no meu conhecimento médico e também como jogador que já teve sua “carreira” atrapalhada , em algum momento ,  por este mal .

- uso da raquete : depois que comprei uma raquete “especial “para epicondilite , da marca Prokennex kinetic, meu cotovelo respirou aliviado . Acho que vale o investimento .  Não é uma raquete barata , mas quem tem epicondilite sabe o quanto isto atrapalha .  A dor , em alguns casos , chega a afetar  o desempenho profissional ( incomoda para digitar , carregar uma mala , cumprimentar uma pessoa e até para fazer cirurgias ! ) . Existem muitos  outros fatores técnicos a respeito do equipamento , que podem ser melhor compreendidos no seguinte artigo :

http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-03.htm

- respeite a dor , não exagere nas horas jogadas , evite dias seguidos sem descanso ;
- faca um fortalecimento adequado dos membros superiores ;
- tente melhorar a técnica do backhand  ;


- procure ajuda médica , o uso de medicamentos e fisioterapia são fundamentais em alguns casos ;
- em algumas situações , não tem jeito – você terá que ficar afastado das quadras por um bom tempo – 2 a 3 meses até resolver esta inflamação ;
- gelo pode ser usado , com alívio da dor.

-  uso de cotoveleiras ( tensores ) : não costumo indicar  , alguns jogadores relatam um pouco de conforto quando o usam ;

-  existem infiltrações , com corticóide ou com prp ( plasma rico em plaquetas ) que podem ser indicadas , prefiro deixá-las para situações extremas .

Lipomas e ortopedia

Os lipomas são tumores benignos formados por tecido gorduroso .  Não são muito frequentes , mas também não são de ocorrência tão rara . Muitas vezes os pacientes procuram um ortopedista relatando o aparecimento de uma caroço , normalmente indolor , outras vezes procuram um dermatologista , um cirurgião geral ou cirurgião plástico . Podem ocorrem em diversas partes do corpo , sendo a região do dorso ( costas ) e dos ombros os  locais mais acometidos .

O diagnóstico é simples , pelas características de palpação , de caráter indolor ; logo suspeitamos pelo exame físico desta patologia . A ultrassonografia ou a ressonância magnética podem complementar o diagnóstico .

O tratamento mais utilizado inicialmente é a orientação e simples observação : como é um tumor benigno e quase sempre indolor , normalmente a cirurgia não é necessária . Deixamos esta opção para aqueles casos em que há uma desconforto local (dor) ou quando há um crescimento acelerado do tamanho do lipoma . A questão estética também pode ser uma indicação  para a cirurgia .

A cirurgia remove o tumor e também confirma sua natureza , se realmente é um tumor benigno , através da análise anatomo-patológica .

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Lipoma volumoso de 8 cm de diâmetro , observe a consistência gordurosa predominante