Quanto tempo demora para uma fratura consolidar ( colar , calcificar )?

Quanto tempo um osso quebrado demora para grudar ? Certamente esta é uma pergunta muito comum  na Ortopedia, mas  que não pode ser respondida de uma única maneira . As fraturas tem características muito distintas entre si , levando-se em conta inúmeros aspectos , que podemos ilustrar a seguir :

– tipo do traço da fratura : pode ser um traço simples (completo ou incompleto) , múltiplos traços ( fratura cominutiva ) ,traço espiralado ,etc. Os traços mais complexos geralmente levam mais tempo para consolidar ;

– idade: crianças tem um potencial de remodelação óssea maior que adultos e idosos , além de possuírem um metabolismo mais acelerado , o que de uma forma geral pode acelerar a consolidação . Além disso , os ossos são menores e isso também torna o processo mais rápido ;

– fratura exposta: nesta situação o osso fraturado se expõe para fora da pele . Pode estar associado a perda de músculos, de vasos sanguíneos , de pele e até de parte do osso  ,  facilitando um processo infeccioso e retardando a consolidação óssea ;

– qualidade da redução e estabilização da fratura : para que haja formação da ponte óssea entre as extremidades fraturadas , estas devem estar próximas e bem alinhadas . Se os ossos estiverem desalinhados , o médico deverá alinhá-los ( cirurgicamente ou não) e mantê-los alinhados ( com gesso , com órteses , com placas , parafusos ou outros instrumentos ) . Se não houver um bom contato , pode haver a formação de uma pseudoartrose ( consolidação inadequada ) ou uma não consolidação do osso ;

– estado nutricional do paciente : a consolidação óssea requer bastante energia e nutrientes . Certamente ,  pacientes debilitados ou com alterações metabólicas terão maior dificuldade para resolução de uma fratura ;

Estes são apenas alguns fatores que definem o tempo de tratamento de uma fratura . Apenas para dar uma dimensão de tempo ,cito  alguns exemplos abaixo :

– uma fratura de clavícula num recém-nascido pode estar “colada” em 2 a 3 semanas , exigindo pouca imobilização ;

– uma fratura de tíbia tratada com gesso pode exigir de 2 a 3 meses para consolidar ;

– uma fratura de fêmur exposta com múltiplos fragmentos pode demorar de 6 a 8 meses para curar , mesmo submetida a tratamento cirúrgico e muitas vezes envolvendo diversos profissionais da área de saúde.

O processo de consolidação óssea é um processo biológico , de intenso metabolismo , que poderia ser dividido nas fases abaixo ilustradas :

O ortopedista , através das radiografias que são tiradas ao longo do tratamento , pode observar a consolidação óssea . O tempo entre as radiografias depende de cada caso e somente o médico pode definir.  Em algumas situações de dúvidas , o médico poderá solicitar algum exame complementar , como uma tomografia , para melhor esclarecimento . Abaixo mostro uma sequência de radiografias de uma fratura de úmero , tratada cirurgicamente , que mostra a consolidação óssea :

P.S.:  Tenho recebido muitas perguntas de leitores me perguntando  quando podem tirar o gesso,  quando podem apoiar o pé em determinada situação , muitas vezes após uma cirurgia . Esclareço , mais uma vez , que as fraturas se comportam muito diferentemente umas das outras e que , somente o médico , através do exame físico , da história detalhada do paciente e das radiografias a que tem acesso  , pode determinar estes  ” detalhes ” . Sendo assim , não posso fazer consulta pela internet e nem sempre posso esclarecer estas dúvidas . Portanto , terei que excluir os comentários que caírem nesta situação.

Tratando dor no joelho com exercícios para o quadril

Existem inúmeras causas de dores nos joelhos , sendo que uma das mais frequentes é denominada de síndrome patelofemoral . Esta entidade resulta da irritação da cartilagem que recobre a patela (rótula) , o osso mais anterior do joelho .  Tradicionalmente , o tratamento era baseado em medicamentos , repouso ,  gelo e exercícios de fortalecimento do quadríceps ( o músculo anterior da coxa ) . E , não infrequentemente , com resultados pouco convincentes.

Estudos mais recentes levaram a um melhor entendimento da mecânica do joelho e mostraram que o movimento da patela é mais influenciado pelos músculos dos quadris do que pelo quadríceps . Um destes estudos mostrou que mulheres corredoras tratadas com um programa de fortalecimento dos quadris tiveram uma redução significativa de dor nos joelhos. Veja mais detalhes neste link.

Um outro estudo que aponta para esta mesma linha de tratamento mostrou que uma mudança na marcha de corredores melhorou a mecânica do quadril e levou a quadros dolorosos menos intensos sobre os joelhos. Veja mais sobre este estudo aqui.

Acredito que outros estudos esclarecerão ainda mais esta questão e , sem dúvida nenhuma, nos ajudarão a combater dores até hoje de difícil tratamento na ortopedia.

Luxação anterior do ombro

Uma das mais frequentes luxações do corpo humano acontece no ombro , quando a cabeça do úmero se desloca da glenóide ( escápula ) .É conhecida também por luxação gleno-umeral .Na maior parte das vezes , o braço vai para frente , caracterizando uma luxação anterior . Usualmente está relacionada a  um trauma , mas também pode ocorrer de forma atraumática ( por uma frouxidão anormal dos ligamentos ).

Quando ocorre a luxação , podem ocorrer lesões nos ligamentos do ombro , tornando-os mais frouxos ou soltos , o que pode facilitar a ocorrência de novos episódios ( luxação recidivante ) . Podem ocorrer também fraturas ou lesões cartilaginosas que precisam ser identificadas para o correto entendimento do problema e direcionamento do tratamento .

O diagnóstico da luxação é feito pelo histórico , pelo exame físico , por exames como radiografias e ressonância magnética . O tratamento deve ser individualizado , considerando a idade , a atividade física e profissional do paciente, a existência de lesões associadas como as descritas acima , o número de episódios de luxação , entre outros fatores . Naqueles casos de luxação traumática em pacientes jovens, normalmente optamos pelo tratamento cirúrgico ,realizado habitualmente pela artroscopia , como pode ser exemplificado no vídeo abaixo :

Veja um pouco mais sobre este tema neste link .

 

Faça exercícios e viva mais !

Abaixo reproduzo um gráfico que vi no blog do British Journal of Sports Medicine , que compara os principais fatores de risco para uma pessoa morrer . E este gráfico coloca a inatividade física como o fator mais importante , na frente de outras situações até supostamente mais graves , como a hipertensão ,  o diabetes ,  o colesterol alto , a obesidade e o tabagismo.

Fica claro , já que é um problema de saúde pública,  que o sedentarismo tem que ser combatido por todos os setores da sociedade. Sabendo que o exercício também ajuda a diminuir os níveis pressóricos , o sobrepeso ,os níveis glicêmicos , os níveis de gordura , podemos concluir que a atividade física diminui substancialmente quase TODOS os fatores de risco . Portanto , levante-se da cadeira e chacoalhe o esquelelo !

Luxação do cotovelo

Uma senhora de 88 anos caiu com a mão extendida no chão , procurou-me no PS com dor no cotovelo. Após uma análise do raio-x inicial , detectamos uma luxação do cotovelo , conforme mostra a figura abaixo :

Diante deste quadro , tivemos que realizar um procedimento chamado redução , que é a manipulação da articulação para que “ela se encaixe” novamente . O procedimento é realizado como mostra a figura abaixo :

Uma vez conseguida a redução , imobilizamos a paciente com gesso por 3 semanas e então iniciamos uma reabilitação fisioterápica . Hoje  , após 3 meses do trauma inicial , a paciente evoluiu para um quadro de boa movimentação , dor mínima e força normal para suas atividades normais . O raio-x final e o vídeo abaixo mostram a evolução do caso:

imobilização com gesso após a redução

raio-x final , com congruência articular e algumas calcificações periarticulares

Comentários : em uma luxação de cotovelo , temos que atentar para lesões ligamentares e fraturas , que podem inclusive levar a um tratamento cirúrgico. Temos que afastar também a existência de lesões vasculares e neurológicas , sabendo que a luxação é um trauma com muita energia .

Osteoporose x Osteoartrose

Comumente atendo pacientes que utilizam os termos osteoporose e osteoartrose de forma equivocada . Cabe a nós , médicos ,  o esclarecimento desta questão :

joelho com artrose

– a osteoartrose refere-se ao desgaste da cartilagem articular  , substância que recobre os ossos nas articulações do corpo , permitindo uma movimentação suave e sem dor . Existem termos que denotam o mesmo problema : artrite degenerativa , artrose , ” bico de papagaio “(termo leigo para artrose da coluna vertebral ) . As causas são variadas : degeneração pela idade , trauma pregresso , sobrepeso , distúrbio reumatológico , infecção , entre outros . O tratamento deve ser individualizado , existem tratamentos clínicos  com medicamentos, com fisioterapia , com infiltrações e em alguns casos a  cirurgia deve ser empregada.

– a osteoporose refere-se a uma perda da densidade mineral óssea , tornando o osso mais poroso e mais sujeito a fraturas . Com o passar dos anos , o metabolismo ósseo vai se alterando e o  corpo vai retirando mais cálcio dos ossos , deixando-o mais poroso . Esse mecanismo é mais evidente na mulher após a menopausa , pelas alterações hormonais . Mas também está presente nos homens. Existem meios de realizarmos a detecção e tratamento desta doença , minimizando os riscos de fraturas osteoporóticas . A densitometria óssea é um exame simples e que permite o diagnóstico preciso da osteoporose.  Entre os tratamentos , destacamos : exercícios físicos, dieta rica em cálcio , suplementação de  cálcio e vitamina D , exposição ao sol nos horários adequados , reposição hormonal .

Veja um outro artigo meu sobre osteoporose.

Lesão do menisco – artroscopia do joelho

Os meniscos são estruturas extremamente importantes presentes nos joelhos , com função primordial de distrubuição de carga na superfície articular , funcionando como amortecedores . São em número de dois , o interno ou medial e o externo ou lateral. Os meniscos podem sofrer rupturas , que podem ser pouco ou muito sintomáticas . Estas rupturas decorrem de diversas formas :  entorses durante a prática esportiva ,   degeneração natural que ocorre com o passar dos anos , sobrecarga devido a um peso excessivo , instabilidade do joelho associada a lesões ligamentares, entre outros fatores .

Os sintomas são variados e podem incluir : derrame articular (inchaço) , dor , travamentos , sensação de falseio , dificuldade para agachar , estalidos .

Através de uma história detalhada , um exame físico apurado e de um exame como a  ressonância magnética , o médico ortopedista pode estabelecer o diagnóstico de uma lesão meniscal . Existem variados tipos de lesão mensical , como exemplificado abaixo :

A decisão de qual tratamento realizar caberá ao médico e ao paciente , levando em conta diversos aspectos : idade , atividade física realizada , existência de lesões associadas, intensidade dos sintomas , tipo de lesão ,etc .

As opções de tratamento podem ser : nada a fazer naqueles casos em que os sintomas são mínimos ( ou seja , nem toda lesão meniscal deve ser operada  ! )  , mudança comportamental ( alteração de atividade física e perda de peso ) , fisioterapia, infiltrações e cirurgia . A cirurgia é frequentemente necessária para aquelas lesões em pacientes sintomáticos e que desejam praticar alguma atividade esportiva.  A forma mais comum hoje de realizar uma cirurgia para menisco é a artroscopia , como demonstra o vídeo abaixo , em que a parte lesionada do menisco foi retirada ( meniscectomia parcial ) .

Quando tratamos de uma lesão meniscal , temos que ter em mente dois  princípios básicos :  :1 ) tentar manter o menisco , se possível suturá-lo ; 2) se não for possível costurá-lo ( e isso é muito comum , infelizmente) , devemos retirar a menor parte possível.

Leia mais um pouco neste link : http://ortopediasp.com.br/joelho/58.html