Mês: maio 2012

Como chegar aos 100 anos ?

Você gostaria de chegar aos 100 anos ? Acha que tem chance ? Vale a pena ? São perguntas difíceis de responder , mas o fato é que cada vez mais  vivemos mais , controlamos melhor ( ou deveríamos ou temos como fazer )  nossa saúde e nossas doenças .  Viver mais e com mais qualidade depende do que já fizemos , do que fazemos e do que faremos . E também do que herdamos dos nossos familiares ( sim , a genética é o fator mais importante para uma longevidade extrema ) .  As mulheres levam nítida vantagem nesta “corrida ” . Desafios para todos nós surgirão e especialmente para os médicos ortopedistas . Alguns destes assuntos foram temas de um congresso de Geriatria . Não estive lá , mas li um pouco sobre isso neste artigo que deixo abaixo e que achei bem interessantes . Vale a pena ler .

– Estudos procuram fórmula para chegar bem aos cem anos 

Estiramento e ruptura muscular

Estiramento ou ruptura muscular são termos utilizados para denotar uma lesão muscular com perda de sua continuidade (micro ou macroscópica ) . São muito comuns no dia-a-dia da Ortopedia. Outros termos , como distensão ou contratura , são frequentemente utilizados , porém de maneira incorreta. · Existem diversos graus de lesão muscular , costumamos claassificá-las em 3 graus , da mais leve para a mais grave . São comuns nos membros inferiores , afentando o quadríceps ( músculo anterior da coxa) , os isquitibiais (músculos posteriores da coxa ) e o tríceps sural ( músculos da “batata da perna “) . Podem afetar menos frequentemente músculos dos membros superiores , como o peitoral maior . 

Alguns fatores podem aumentar as chances destas lesões : fadiga muscular , condições climáticas adversas , erros de treinamento , excesso de exercícios , pouco alongamento muscular.

O tratamento que o ortopedista vai instituir depende de vários fatores , como o grau da lesão , o local da lesão , a atividade do atleta . Pode incluir : medicação , gelo , fisioterapia , repouso ( muitas vezes os atletas tem que ficar semanas ou meses afastados  ) , fisioterapia e até cirurgia. Um tratamento mais recente , com PRP ( plasma rico em plaquetas ) tem sido utilizado em alguns atletas ; sua utilização e eficácia ainda carece de estudos mais aprofundados .

Fratura da perna ( tíbia e fíbula ) – tratamento cirúrgico

Abaixo mostro um caso que atendemos esta semana . Trata-se de uma senhora de 65 anos que teve um entorse do tornozelo , evoluindo com muita dor , deformidade na região da perna e incapacidade de apoiar este membro no chão. A radiografia abaixo ilustra o diagnóstico : uma fratura dos  ossos da perna , incluindo a tíbia (maior desvio)  e a fíbula ( menor desvio ) . Discutimos as opções de tratamento ( gesso ou  cirurgia ) e optamos pelo tratamento cirúrgico , consentido pela paciente e sua família .

Fratura com desvio da tíbia ( osso maior ) e da fíbula ( praticamente sem desvio)

A cirurgia realizada consistiu na  redução da fratura da tíbia ( correção da deformidade e alinhamento dos fragmentos ) e estabilização das fraturas com 2 tipos de materiais :

– na tíbia : haste intra-medular bloqueada , que é um pino que fica dentro do canal medular ( espaço interno dos ossos longos ). É introduzida na região do joelho , abaixo da patela e é bloqueada com parafuso acima e abaixo da fratura ;

– na fíbula: placa tipo ponte  , com parafusos.

A radiografia pós-operatória pode ser vista abaixo :

tíbia alinhada com haste intramedular e fíbula com placa ponte

A cirurgia garante uma chance aumentada de consolidação óssea numa boa posição , permite uma descarga de peso mais precoce , além de ser mais confortável , evitando o uso de um gesso longo e pesado por um período prolongado. Apresenta , por outro lado , a chance de infecção pós-operatória , complicações anestésicas e um custo mais alto do tratamento . Além disso, demanda um conhecimento especializado e experiência do cirurgião ( existem muitas cirurgias mal realizadas e os resultados podem ser catastróficos ! )   . São estas as ponderações que devem ser colocadas diante de um caso como este . E o médico , junto com o paciente, decidirão o que fazer.

Síndrome do impacto do ombro

A síndrome do impacto é uma causa importante de dor no ombro  . Ela decorre do atrito (impacto ) entre os tendões do manguito rotador e o osso chamado acrômio ( parte da escápula ) . Para melhor entendimento deste problema , mostro a figura anatômica abaixo :

O atrito pode acontecer por diversos motivos :

– acrômio curvo :  algumas pessoas tem o acrômio mais curvo , com um ” bico ” que pode irritar os tendões quando o braço é elevado ;

– excesso de movimentos. Seja por questões de trabalho ( pintar paredes , estender roupas no varal , trocar lâmpadas , etc ) , seja por atividades esportivas ( volêi , basquete , tênis , beisebol , academia de musculação ) ;

– questões posturais : pacientes que tem os ombros protraídos (voltados para a frente ) tem uma alteração da dinâmica muscular , facilitando o atrito do tendão junto ao osso.

O quadro clínico geralmente inclui dor , algum grau de dificuldade para levantar o braço , dor noturna . A intensidade destes sintomas pode progredir com o tempo .

O diagnóstico é clínico e alguns exames radiológicos , como a radiografia , a  ultrassonografia e a ressonância magnética podem complementá-lo , mostrando alguma inflamação ou lesão dos tendões  e/ou a proeminência óssea do acrômio.

O tratamento deve ser individualizado : a causa deve ser corrigida . Medicamentos podem ajudar a combater a dor e a fisioterapia pode ajudar também a diminuir o quadro álgico e promover um fortalecimento global do manguito rotador . O tratamento com RPG (reeducação postural global ) pode ser indicado nos pacientes com posturas viciosas . Períodos de repouso , evitando alguns exercícios , são necessários. Eventualmente uma infiltração com corticóide , abaixo  do acrômio ( subacromial ) ,pode ajudar e acelerar a melhora .

Aqueles casos em que o tratamento acima falha , uma cirurgia pode ser realizada . Nesta cirurgia , realizada hoje através da artroscopia, realizamos uma ” raspagem ” do osso acrômio  ( acromioplastia ou plástica do  acrômio ),  aumentando assim o espaço por onde o tendão desliza .

Correr descalço é bom ?

Nos últimos anos , alguns teóricos e esportistas tem defendido que  a corrida seja feita com os pés descalços ou com o uso de alguns tênis chamados minimalistas ( Vibram FiveFingers , adiPure Trainer ) .  No começo achei uma situação meio maluca , meio folclórica ( e confesso que ainda partilho desta sensação)  , mas de qualquer forma procurei pesquisar sobre o assunto .

Um resumo do que pesquisei pode ser lido neste artigo : “Corrida descalça traz polêmica para as pistas”  e dele eu destaco :  ” Turíbio Leite, ressalta que a prática não é para todos. Acredito que o correr descalço resgate alguma coisa natural, desde que, evidentemente, exista um solo favorável onde a pessoa vai pisar. Mas é diferente e mais complexo pensar nisso nos dias atuais e na vida urbana. Muita gente começa a correr porque está com excesso de peso. Se ela for correr sem um tênis apropriado, capaz de amortecer o seu peso, ela vai ter prejuízo com isso.”

Uma reportagem também muito interessante e que vale a pena ler está no link a seguir  “Pé no chão “  ( Runner´s World )  e dela destaco a seguinte passagem :  ” KEVIN KIRBY: Eu corro há 40 anos, dou palestras sobre biomecânica em outro países, e não acho que tenhamos algum estudo que apóie tal argumento. É ridículo afirmar que os tênis de corrida são a causa das lesões. É o ato de correr que provoca lesões – as superfícies duras, o impacto com o solo com duas a três vezes o peso do corpo. São essas forças que vão provocar lesões, com ou sem o uso de tênis. “

Acho que ainda mais estudos serão necessários para esclarecermos o que é correto . Por enquanto , eu mesmo não sairia correndo na esteira ou no parque descalço . Nem diria para um paciente que assim o fizesse. Por enquanto …

Viscossuplementação

A viscossuplementação é a injeção  intra-articular  de uma substância que simula o efeito do liquído sinovial  .Promove o alívio da dor por um período variável , através de sua propriedade ” lubrificante ” .

A viscossuplementação é utilizada principalmente nos casos de artrose do joelho ,  mas também pode ser utilizado em outras articulações. Pode ser usada também nos casos de condromalácea patelar , lesão meniscal , osteocondrite . Normalmente são realizadas 3 aplicações , uma a cada semada.

É um procedimento realizado   no   consultório  , rápido , permitindo retorno imediato às atividades cotidianas. Existem diversos produtos comerciais disponíveis no mercado , destacando-se : Synvisc , Synvisc One , Fermatron , Orthovisc , Suprahyal .

Veja abaixo uma animação demonstrando como é feita a aplicação :