Dicas para uso de gelo na Ortopedia

O uso do gelo na Ortopedia é muito frequente . Pode ser utilizado em diversas situações , como :

– em processos traumáticos agudos  ( contusões , entorse , luxações e fraturas ) ;

– processos crônicos , como tendinites , bursites , sinovites , artrite ou artrose ;

– pós-operatórios .

O ortopedista pode dar algumas dicas para que o gelo seja usado de forma mais eficaz e segura :

1) em traumas , deve ser iniciado o mais brevemente possível , antes que o inchaço se estabeleça . Nestas situações , seu uso após as 48 horas passa a ser menos importante ;

2) pode ser feita uma massagem suave , alterando-se a posição do gelo enquanto aplicado ;

3) principalmente nos membros inferiores , deve-se também deixar o local em posição mais elevada em relação ao coração , o que também favorece a diminuir o inchaço ;

4) deve-se tomar cuidado com o tempo de aplicação do gelo . Em linhas gerais , quanto menor a área , menos tempo de aplicação , devendo-se evitar períodos maiores do que 15 a 20 minutos . Depois que  a região resfriada tenha se aquecido novamente , o que se dá em média após 45 minutos , nova rodada de gelo poderá ser realizada . Pode-se repetir este processo várias vezes , dependendo da disponibilidade e paciência do paciente.

5) existem alguns dispositivos especiais para este fim ,como bolsas de borracha , bolsas de gel , joelheiras ou ombreiras . Na falta destes , um saco plástico com gelo picado é uma boa alternativa . É importante colocar uma fina toalha ou tecido com o intuito de prevenir queimaduras térmicas na pele .

    

Lipomas e ortopedia

Os lipomas são tumores benignos formados por tecido gorduroso .  Não são muito frequentes , mas também não são de ocorrência tão rara . Muitas vezes os pacientes procuram um ortopedista relatando o aparecimento de uma caroço , normalmente indolor , outras vezes procuram um dermatologista , um cirurgião geral ou cirurgião plástico . Podem ocorrem em diversas partes do corpo , sendo a região do dorso ( costas ) e dos ombros os  locais mais acometidos .

O diagnóstico é simples , pelas características de palpação , de caráter indolor ; logo suspeitamos pelo exame físico desta patologia . A ultrassonografia ou a ressonância magnética podem complementar o diagnóstico .

O tratamento mais utilizado inicialmente é a orientação e simples observação : como é um tumor benigno e quase sempre indolor , normalmente a cirurgia não é necessária . Deixamos esta opção para aqueles casos em que há uma desconforto local (dor) ou quando há um crescimento acelerado do tamanho do lipoma . A questão estética também pode ser uma indicação  para a cirurgia .

A cirurgia remove o tumor e também confirma sua natureza , se realmente é um tumor benigno , através da análise anatomo-patológica .

File:Lipoma 06.jpg

Lipoma volumoso de 8 cm de diâmetro , observe a consistência gordurosa predominante

Microfraturas – o que são e para que servem ?

A microfratura é uma técnica cirúrgica utilizada no tratamento das lesões de cartilagem . Pode ser utilizada em qualquer articulação , mas é  mais comum para doenças do joelho , tornozelo e ombro . Quando um paciente tem uma pequena área da cartilagem danificada  ( artrose não generalizada  ), a microfratura pode ser realizada na tentativa de estimular o crescimento de nova cartilagem .

microfratura

Como ela funciona ?

A técnica da microfratura cria pequenos buracos no osso. A camada superficial do osso, chamado de osso subcondral, é dura  e pobre em fluxo de sangue. Ao realizarmos pequenos furos nesta camada dura, um microfratura permite que o osso mais profundo, ricamente vascularizado , possa acessar a camada superficial e criar um estímulo para que células cheguem à superfície e criem uma cartilagem nova .

Quem é um bom candidato para microfratura?

  • Pacientes com pequenas áreas de lesão na cartilagem
  • Os pacientes que estão ativos e não podem participar de seus esportes ou atividades por causa de sintomas
  • Pacientes com dor ou inchaço causados pela área danificada da cartilagem

Quem não é um bom candidato para microfratura?

  • Doentes com artrite da articulação generalizada
  • Pacientes que estão inativos
  • Pacientes que não querem participar de uma  reabilitação após microfratura

A microfratura funciona bem?

Sim, mas há mais do que isso ! A microfratura pode ser um excelente procedimento, proporcionando alívio substancial da dor quando feito no paciente certo.

Uma das preocupações com microfratura é que ela não estimula o crescimento da cartilagem articular normal. Existem muitos tipos de cartilagem  e um destes tipos , a cartilagem hialina ,  é normalmente encontrada na superfície da articulação. A microfratura estimula o crescimento de um tipo de cartilagem encontrada no tecido cicatricial  , que é a fibrocartilagem. Ao contrário da cartilagem hialina, a fibrocartilagem não tem a mesma força e resistência da cartilagem normalmente encontrada em uma articulação. Por conseguinte, existe uma possibilidade de que a cartilagem estimulada por um procedimento de microfratura não resista ao longo do tempo.

Como é um procedimento de microfratura é realizado?

A microfratura é realizada como parte de uma artroscopia.

Em primeiro lugar, a área da microfratura é preparada , removendo  qualquer cartilagem solta ou danificada. Idealmente, a área da microfratura deve ser  inferior a cerca de 2 centímetros de diâmetro e ter cartilagem saudável ao seu redor . Em seguida, o ortopedista faz pequenos orifícios  no osso , com instrumentos pontiagudos . O número de orifícios para microfratura criados depende do tamanho da lesão. A maioria dos doentes com uma área de 1 a 2 centímetros de danos requer 5-10 pequenos orifícios no osso.

Abaixo mostro um vídeo que ilustra como é feito este procedimento , neste caso , uma artroscopia do joelho:

O sucesso deste procedimento depende também de reabilitação após a cirurgia . A reabilitação deve proteger a área tratada pelo microfratura, bem como a manter a força e o movimento da articulação do joelho.

Existem alternativas para Microfratura?

Sim. Pacientes que são bons candidatos para microfratura também poderia ser bons candidatos para outros tratamentos para defeitos da cartilagem do joelho. Estas alternativas incluem a transferência de cartilagem ( mosaicoplastia ) e  implante de cartilagem .

Ligamento anterolateral do joelho – novidade anatômica

O joelho é uma das estruturas anatômicas mais bem estudadas do organismo humano . Já foi dissecado infinitas vezes , sua biomecânica estudada exaustivamente , mas ainda dúvidas permanecem como exatamente ele é e como funciona . E de um tempo recente para cá vem sendo noticiado o “surgimento” de um “novo” ligamento , presente na região anterior e lateral do joelho . Estudos anatômicos em cadáveres e também observações cirúrgicas realizadas em artroplastias do joelho conseguiram identificar bem esta estrutura . Trata-se de fato importante , pois este ligamento teria função estabilizadora destacada e  , quando roto , poderia contribuir para aumentar  a instabilidade do joelho .

O ligamento anterolateral tem origem junto ou sobre a inserção do tendão poplíteo ( côndilo lateral ) e se insere no menisco lateral e planalto tibial lateral , 5  milímetros distalmente da superfície articular e posterior ao tubérculo de Gerdy. A largura média da estrutura é de  8,2 ± 1,5 mm  e o comprimento médio é de  34,1 ± 3,4 mm.

ligamento anterolateral do joelho

ALL = ligamento anterolatel
LCL = ligamento colateral lateral
POP = ligamento poplíteo
GT = tubérculo de Gerdy

Quando o ligamento cruzado anterior ( LCA ) se rompe , é comum haver uma avulsão da região proximal da tíbia , chamada de fratura de Segond . Esta fratura já foi descrita há mais de 100 anos , mas até agora ninguém tinha conseguido explicá-la com detalhes . Agora ,com a identificação deste ligamento , a fratura de Segond fica esclarecida .

fratura de segond

fratura de segond

Um trabalho belga recentemente apresentado no congresso americano de ortopedia em Chicago dá mais detalhes deste ligamento .Abaixo deixo o link com mais detalhes acerca deste ligamento .

Osteocondromatose ou condromatose sinovial do joelho

Mês passado auxiliei um colega ortopedista num caso raro e interessante . Um garoto  de 17 anos se queixava de dor no joelho , dificuldade para esticar e dobrar completamente o joelho . Reclamava também de aumento de volume na região posterior do joelho.  de A história já se arrastava há três anos , agravando-se gradativamente  . A radiografia e a ressonância magnética mostravam inúmeros corpos livres cartilaginosos na região posterior do joelho . Foi realizada uma cirurgia para retirada destes fragmentos , volumosos e em grande quantidade .

Abaixo mostro a ressonância do joelho com a visualização de múltiplos corpos livres na região posterior :

osteocondromatose

A cirurgia utilizou um acesso posterior e  a foto abaixo ilustra os vários fragmentos retirados de dentro da articulação do joelho . São fragmentos  osteocartilaginosos , caracterizando uma doença chamada osteocondromatose .

osteocondromatose 1

A osteocondromatose ou condromatose sinovial é uma doença membrana sinovial do joelho, levando esta estrutura à produção anormal de múltiplos pequenos nódulos livres de tecido cartilagíneo, por metaplasia do tecido conjuntivo sub-sinovial. A causa desta metaplasia é desconhecida. É uma situação relativamente rara e habitualmente monoarticular ,quase sempre de caráter benigno. Pode também ocorrer em outras grandes articulações, como o quadril , o ombro ou o tornozelo. Apresenta-se com maior frequência em homens e ntre os 40-50 anos de idade.

Infiltração no ombro – veja como é

A infiltração no ombro pode ser usada em diversas situações : : tendinite , bursite , calcificação , ruptura dos tendões (ruptura do manguito rotador) , capsulite adesiva ou ombro congelado , artrose ou artrite degenerativa. Ajuda a aliviar a dor e melhorar a mobilidade articular. Deve ser feita após análise do ortopedista e após serem discutidas as vantagens e desvantagens com o paciente . É um procedimento rápido e feito no consultório .

Infiltração no joelho – veja como é

A infiltração no joelho pode ser usada em diversas situações : lesão do menisco , lesão da cartilagem , sinovite , artrite ou artrose , entre outras . Ajuda a aliviar a dor e ajuda a melhorar a mobilidade articular. O ortopedista deve discutir suas indicações , suas vantagens e desvantagens antes de realizar este procedimento , que pode ser feito no consultório de maneira simples e rápida .