Dor no cotovelo : tendinite do tríceps

Hoje discutirei uma doença relativamente incomum no cotovelo , chamada de tendinite do tríceps . É bem menos frequente do que as epicondilites medial e lateral , mas também como estas ,  se caracteriza por um processo inflamatório de um  tendão .

O músculo tríceps é um músculo volumoso que se encontra na parte de trás do braço e se insere na região do cotovelo , mais precisamente numa parte da ulna chamada olécrano , através de um forte e espesso tendão , como observamos abaixo .Tem como função básica a extensão do cotovelo .

 

músculo triceps na parte posterior do braço

músculo triceps na parte posterior do braço

 

Atividades físicas exageradas , como treinos em academia de musculação , movimentos repetitivos ou pequenos  traumas  podem desencadear um quadro inflamatório , caracterizado por dor a determinados movimentos  ,  limitando ou não a extensão completa do cotovelo . Algumas vezes um inchaço local pode estar presente . A palpação do “ossinho”  saliente posterior  do cotovelo pode ser dolorosa .

O diagnóstico é normalmente fácil , baseado nos achados acima descritos . A história também é importante. Exames complementares como radiografias , ultrassonografias e ressonância magnética  podem ser solicitados em alguns casos.

O tratamento não costuma ser complicado , exigindo inicialmente do paciente uma modificação das atividades causadoras . Medicamentos antiinflamatórios , gelo local e fisioterapia normalmente também são prescritos pelo ortopedista , com alta taxa de cura num curto espaço de tempo.

tendao triceps

Subir escadas é um bom exercício para os joelhos e para o corpo ?

Recentemente , meu irmão , que mora no décimo-sexto andar de um prédio ,  relatou-me  que começou a subir pelas escadas até o seu apartamento  , complementando seu treinamento físico . Ele tem 43 anos, pratica corrida ,  natação , musculação , tem a supervisão de um treinador pessoal ( personal ) e está com o peso ideal . Enfim , é  um adulto saudável e nunca teve nenhuma queixa ortopédica , nenhuma dor ou lesão nos joelhos . Imediatamente comentei que , como ortopedista , não recomendava que continuasse a tal prática , porque poderia prejudicar futuramente seus joelhos. Ele aceitou  esta dica  .

Assim como ele , também recebo pacientes que dizem fazer esta atividade com frequência. Muitos deles são sedentários , estão acima do peso e “aproveitam” esta necessidade de subir as escadas para fazer pelo menos um exercício no dia . Calculam que estarão queimando algumas calorias e fortalecendo seus músculos .

Certamente que o  subir escadas ajuda a gastar calorias , como qualquer outra atividade que move o nosso corpo . Certamente que também solicita a musculatura das panturrilhas , das coxas , dos glúteos  , do coração . Existem máquinas modernas que simulam este movimento . O exercício de step das academias , com aulas movimentadas e músicas , também se assemelha a esta atividade. Professores de educação física destacam algumas vantagens para o condicionamento muscular e cardiovascular para esta atividade .

Mas ocorre que  a pressão exercida na articulação do joelho , mais precisamente na cartilagem da patela e do fêmur ( região patelo-femoral , região anterior do joelho  ) é muito grande quando executamos o subir  e descer escadas , assim como quando agachamos por longos períodos. Se a musculatura dos membros inferiores for forte e a pessoa estiver habituada a fazer exercícios , a sobrecarga deverá ser menor e um possível  dano a cartilagem  idem . Agora , pessoas não acostumadas a fazer exercícios com regularidade ( e músculos mais fracos ) , pessoas com sobrepeso , pessoas com histórico de dor no joelho , pessoas com diagnósticos de lesão da cartilagem ( lesão condral , condropatia ou condromalacea são sinônimos ) , devem evitar esta atividade , caso contrário podem  desenvolver ou piorar problemas nos joelhos .

Além disso , muitas vezes a pessoa está carregando uma mala ou mochila , usando um calçado inadequado , o que pode sobrecarregar a coluna ou os pés . Assim , de uma forma geral , eu desaconselho meus pacientes a realizar esta atividade com frequência . É lógico , para subir um ou dois andares , para poucos degraus , não vejo problema nenhum e até incentivo a movimentação  ativa . Mas atividades como aquela corrida de escadas que existe em Nova Iorque , subindo o Empire State Building , isto é uma fanfarronice ou caso primeiro para psiquiatria ! E depois , para Ortopedia !

Osteoartrose das mãos e deformidades nos dedos

É muito comum , principalmente entre as mulheres após os 60 anos , o aparecimento de deformidades nos dedos das mãos . Queixas como  ” meus dedos estão entortando ” ou  ” meus anéis não me servem mais ” são normalmente referidas ao ortopedista .
Na maior parte das vezes , trata-se de um processo degenerativo natural , chamado de osteoartrose ou osteoartrite . Os nódulos que aaparecem nas juntas dos dedos são chamados de nódulos de Heberden ( na interfalangeana distal ) e Bouchard ( na interfalangeana próximal) .

artose maos
O diagnostico é fácil e feito fundamentalmente pelo exame físico . As radiografias podem mostrar as deformidades ósseas e pequenos osteófitos locais ( saliências ósseas nas articulações ) .
Em relação ao tratamento , a orientação é o primeiro passo , esclarecendo o caráter benigno da situação . Se a dor estiver presente , algum analgésico ou anti-inflamatório pode ser prescrito . Também a fisioterapia analgésica pode ser solicitada. Alguns medicamentos anti-artrósicos , como diacereína ou glicosamina podem ser prescritos  . A cirurgia é uma alternativa muito raramente utilizada .

Fratura do ombro ( úmero ) – tratamento com diferentes tipóias

 A fratura do úmero na sua parte superior ( que chamamos de úmero proximal ) é uma fratura bastante frequente , podendo acometer todas as faixas etárias . Nas crianças e adultos jovens normalmente ocorre em traumas de maior energia ( quedas de bicicleta , de moto , de cavalo ) . Nas pessoas mais idosas , muitas vezes traumas banais, como quedas em casa , nas calçadas , podem levar um osso mais poroso a ser fraturado .

Existem diferentes tipos de fraturas nesta região , tipos esses relacionados ao número de fragmentos do osso fraturado e se houve desvio entre eles. Basicamente , quando os fragmentos estão muito distantes uns dos outros  , a tendência e que seja indicada uma cirurgia. Por outro lado , quando o desvio é mínimo  , a tendência é que o ortopedista opte por um tratamento não cirúrgico ,que chamamos de tratamento conservador.  Meu objetivo neste artigo não é discutir as classificações nem indicações de tratamento .  Meu objetivo é de expor um princípio que aprendi assistindo uma aula recentemente num congresso em Nice , explicitado abaixo.

O tratamento conservador mais usado é a utilização de uma tipoia simples , como a figura abaixo exemplifica .

tipoia comun

Tradicionalmente , deixamos o antebraço  imobilizado junto ao abdômen por 4 a 6 semanas . Porém , através de estudos em cadáveres , em casos clínicos e estudos radiográficos , observou-se uma melhora da posição dos fragmentos quando a posição do antebraço era diferente , como mostrado abaixo. Isso acontece por conta dos músculos e tendões que estão presos ao úmero  , promovendo alinhamento ou desalinhamento dependendo da posição de imobilização .

 tipoia funcional

Desta forma , seria indicado este ultimo tipo de tipoia para uma consolidação mais adequada . A radiografia , que e feita periodicamente para confirmar a consolidação óssea , deve ser feita com a tipoia e poderá ratificar este principio .

Congresso de ombro na França – Nice

Entre os dias 5 e 7 de junho passado estive num congresso de ombro  na belíssima cidade francesa de Nice ,  na parte sudoeste daquele pais . O congresso , organizado pelo prestigiado professor Pascal Boileau , contou com a presença de quase 1000 médicos de todo o mundo . Estávamos em quase cinquenta brasileiros e pudemos discutir as últimas novidades da Ortopedia no que se refere aos problemas do ombro.

niceshouldercourse

Desde novidades anatômicas , passando também  pelos quadros de instabilidade do ombro ( luxação ) , de lesões do manguito rotador ( tendão  ) , de desgaste ( artrose ) e de fraturas que acometem esta área , os professores puderam difundir novas técnicas , novos conceitos e amadurecer um conhecimento que vem aumentando ano a ano .

Foram comentadas cirurgias realizadas e transmitidas ao vivo , quando os participantes  puderam observar detalhes , dicas e aprender como evitar complicações nos procedimentos  .

congresso

Foi um congresso bastante interessante e enriquecedor , já que a medicina francesa rivaliza em qualidade com os melhores centros americanos , com alguns pensamentos diferentes destes , que nos ajudam a compreender melhor a CIRURGIA DO OMBRO.

Além do aspecto acadêmico , pude também aproveitar e esticar um pouco a viagem e conhecer esta região belíssima . Tive a oportunidade de  conhecer lugares como Cannes , Antibes , Aux-en-Provence , Saint Paul de Vence e Monaco . A gastronomia local foi também um ponto de destaque desta viagem . Certamente é um destino que merece ser conhecido .