Prótese da cabeça do rádio – 5 anos de pós operatório

A fratura da cabeça do rádio , na maioria das vezes , é de tratamento não cirúrgico . Quando a fratura ocorre sem que os fragmentos estejam desalinhados ou distantes da posição normal , o tratamento com um período de gesso ou tipóia , seguido de uma fisioterapia adequada , tem um bom resultado . Normalmente o paciente fica sem dor e os movimentos voltam à normalidade.

Quando ocorre uma fratura com alguns fragmentos que se deslocam ou quando o osso se despedaça  , uma cirurgia pode ser necessária.  Em alguns casos conseguimos remontar o osso , fixando os pequenos fragmentos à posição normal com delicados parafusos . Em outros casos , a reconstrução não é possível e uma substituição da cabeça do rádio é feita com a implantação de uma prótese . Foi o que fiz neste caso . A paciente foi operada há cerca de 5 anos , retornou comigo recentemente para avaliar uma outra queixa ( dor no joelho ) . Aproveitei para fazer uma revisão de como estava seu cotovelo e pude constatar uma articulação praticamente normal , sem dor e boa movimentação , como demonstra o vídeo abaixo , seguido das radiografias atuais.

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Nice de novo , de novo legal ( nice again ) !

No começo do mês voltei à encantadora cidade de Nice , na maravilhosa região sul da França , para participar do congresso Nice Shoulder Course , do professor Pascal Boileau.

Estive lá dois anos atrás e novamente este ano tive a oportunidade de atualizar os conhecimentos na área de cirurgia do ombro . Com a participação de mais de 900 congressistas de 61 países  , o congresso reuniu os grandes nomes desta área da Ortopedia . Assuntos comuns do dia-a-dia e também casos mais raros foram colocados em discussão , aumentando assim nosso horizonte e permitindo uma abordagem mais racional para nossos pacientes .

A cirurgia de ombro da França tem uma tradição e vanguarda no cenário mundial e , com a simpatia , dedicação e trabalho árduo da equipe do Dr. Pascal , tem me ajudado a entender  e tratar melhor as patologias do ombro .

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Um congresso excepcional , num lugar maravilhoso

Mês passado estive num congresso muito interessante , que qualifico como o melhor evento de todos de que já participei  na área de cirurgia do ombro .  Foi na França , numa cidade muito charmosa chamada Annecy , próxima da Suíça . A pequena cidade que fica ao redor de um grande lago de mesmo nome é o local onde o renomado Dr. Laurent Lafosse recebe cirurgiões de todos os cantos do mundo , realizando um congresso baseado em cirurgias ao vivo . As indicações , as técnicas cirúrgicas , os detalhes , as complicações e dificuldades de cada operação  são expostas ao vivo , permitindo aos participantes adquirir uma experiência muito enriquecedora .

Abaixo deixo algumas fotos do local . Gostei tanto do congresso e da região que torço para que daqui a dois anos possa voltar para a próxima edição deste fantástico encontro !

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Hotel do congresso

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Fratura-luxação do ombro

Neste feriado atendi uma paciente com uma história inusitada. Relatava que três dias antes de me procurar, passeando num dos parques da Disney, em Orlando, ao sair de uma das atrações, se desequilibrou e caiu no chão. Ao apoiar a mão, tentando diminuir o impacto da queda, sentiu o ombro sair do lugar. Recebeu os primeiros socorros no parque e foi encaminhada a um hospital da região . Os médicos então fizeram o diagnóstico da situação : fratura-luxação do ombro . Eles  tentaram, sob anestesia, por mais de uma vez, reduzir o ombro, ou seja , colocá-lo no lugar. Infelizmente este procedimento não teve o objetivo alcançado e , diante disso, lhe disseram que teria de ser submetida a uma cirurgia. A paciente e seus familiares, sentindo-se inseguros em realizar tal procedimento no exterior, solicitaram  que tivesse alta e decidiram retornar ao Brasil para finalizar o tratamento. Mesmo com muita dor e imobilizada com tipóia, voaram de volta e imediatamente me procuraram.

Curiosamente, a mãe da paciente, anos antes, já tivera situação semelhante e fora por mim atendida no ps. Felizmente, naquele caso, tive sucesso em resolver a luxação do ombro com uma manobra simples de redução     .Abaixo ilustro como normalmente reduzimos uma luxação do ombro .

Voltando para o caso atual ,  avaliei a paciente clínica e radiograficamente e constatei   uma fratura-luxação do ombro , exatamente como lá nos EUA . Internei a paciente e , no dia seguinte pela manhã ,  a operei   .Abaixo mostro as imagens de raio-x e tomografia computadorizada antes da cirurgia.

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Não foi um caso fácil, o fato da cabeça do úmero ter ficado deslocada por 3 dias dificultou a redução , mas ao final da cirurgia conseguimos ter uma posição adequada do ombro , com uma fixação da tuberosidade maior com um parafuso e alguns pontos transósseos de alta resistência ( estes não observados na radiografia pós operatória ) . Abaixo estão as radigrafias pós-operatórias .

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Hoje , dois dias após a cirurgia , a paciente teve alta sem dor . Deverá ficar com uma tipóia por cerca de 5 semanas , começando uma fisioterapia dentro de um mês . Voltarei oportunamente a este caso para relatar a sua evolução final.

Curvas da coluna vertebral – cifose e lordose

Abaixo mostro uma radiografia digital de uma paciente de 52 anos com queixa de dor nas costas . Neste artigo discutirei brevemente alguns aspectos da imagem , sem entrar no tratamento do caso.

Nela podemos contemplar uma  bonita imagem do esqueleto , incluindo parte dos ossos do crânio , os ossos da coluna vertebral , o arcabouço torácico e parte da bacia . Do lado esquerdo temos uma visão de perfil e do lado direito temos uma visão frontal  .

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Ao desenharmos uma linha sobre os centros das vértebras , teríamos a seguinte imagem :

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Simplificadamente , poderíamos dizer que , vista de frente , a coluna descreve praticamente uma linha reta. Se formos mais rigorosos , observamos sim pequenas curvas , caracterizando uma leve escoliose .

Por outro lado , quando vista de perfil , a coluna apresenta duas curvas acentuadas , a curva lombar ( número 1) , chamada  lordose ,  e a curva torácica (número 2 ) , chamada cifose . Estas curvas estão presentes em todos nós , em maior ou menor grau . Quando aumentadas , podem trazer problemas estéticos , dor , problemas funcionais , entre outros . O envelhecimento , normalmente acompanhado por um grau de osteoporose , favorece muito o aparecimento da cifose acentuada ( idosos que ficam corcundas ) .

Tratamento da artrose do joelho sem cirurgia – infiltrações

A artrose ou osteoartrose do joelho é uma das doenças osteoarticulares mais comuns na população acima dos 50 anos . Caracteriza-se pelo desgaste da cartilagem que recobre um ou mais ossos desta articulação , a saber : fêmur , tíbia e patela .

Os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes são : dor , dificuldade para caminhar , dificuldade para subir escadas , falseios , limitação para dobrar ou esticar completamente o joelho , inchaço , barulho , desvios ou deformidades , entre outros.

As limitações da artrose dependem de uma série de fatores : peso do paciente , tolerância pessoal à dor  , idade , atividade profissional ou física exercida , grau de desgaste , entre outros .

Assim , o tratamento da artrose do joelho deve ser muito individualizado. Pacientes idosos com um grau de artrose leve e pouca demanda funcional podem ser tratados apenas com medicamentos analgésicos comuns . Já pacientes jovens , também com artrose leve , mas com demanda funcional elevada ( muito esporte , por exemplo ) , podem necessitar de diversos tipos de tratamento , como medicações mais fortes , infiltrações e até cirurgias .

Neste artigo vou somente expor minha experiência com infiltrações no joelho para o tratamento da artrose . Normalmente pontuo que este tratamento é paliativo e pode requerer repetições periódicas . Explico ao paciente que um tratamento complementar poderá ser necessário num outro momento . Normalmente está indicado nos pacientes jovens em que uma cirurgia de prótese ainda deve ser postergada ou naqueles mais idosos em que uma cirurgia apresenta contra indicações clínicas ou naqueles casos em que o paciente rejeita o tratamento cirúrgico .

Venho utilizando há um bom tempo , com boas respostas , dois tipos de medicamentos para infiltração nos joelhos :

1 – corticóides diluídos em anestésicos . Cito alguns nomes : triancil , depomedrol , diprospam , beta30 ;

2- lubrificantes , num processo que denominamos  viscossuplementação  . Cito alguns nomes : Synvisc , Euflexa , Synovium , Polireumin .

Tenho usado com frequência os dois tipos , numa associação em que as características analgésicas e antiinflamatórias dos corticóides são somadas ou potencializadas às características de lubrificação do segundo grupo de medicamentos . Assim , costumo aplicar uma infiltração de corticóide num primeiro momento e depois três aplicações , semanalmente espaçadas ,  de lubrificante .

A melhora destas infiltrações pode ocorrer por um período de meses ou anos , dependendo dos fatores já listados acima. Pode também ocorrer uma resposta pobre ou nula dependendo do caso , ou seja , pode não melhorar nada . Mas isto é incomum e deve ser colocado ao paciente antes deste tratamento . Nesta situação , provavelmente uma cirurgia deverá ser indicada .

Finalizando , o tratamento da artrose do joelho deve ser discutido com o paciente e deve ser individualizado para uma melhor resposta . E dentro do tratamento clínico , a infiltração pode ser uma valiosa arma terapêutica .