Agradecimento a meus leitores

Ano passado foi um ano muito interessante  em relação ao meu blog. Publiquei bastante , respondi a muitas dúvidas dos leitores , o blog foi visto por muitas pessoas .

Gostaria de ter tempo adicional para publicar mais artigos e ajudar com respostas mais rápidas e esclarecedoras. Às vezes , porém , o tempo é uma limitador . Tenho que me dividir entre o trabalho , a família e meus afazeres pessoais ( gosto muito de jogar bola e tênis ) .

O blog me ajuda muito a desenvolver a comunicação que uso no dia-a-dia, tentando esclarecer as doenças e seus tratamentos aos pacientes de uma forma didática e de fácil compreensão. Além disso, o “trabalho” que tenho ao publicar um assunto me faz estudar, rever conceitos e , neste processo , me ajuda na atualização que todo profissional deve buscar .

Assim , ficam aqui meus agradecimentos aos visitantes e minhas desculpas àqueles que fizeram perguntas que não pude responder . E também meu compromisso de continuar este trabalho que me dá muito prazer !

A figura abaixo mostra um resumo das estatísticas do blog .

estatistica

Âncoras na Ortopedia

A ortopedia e a traumatologia evoluíram muito nos últimos 20 anos  , em parte devido ao surgimento e desenvolvimento de diferentes tipos de implantes . As próteses de ombro , de joelho e quadril  se modernizaram tanto no design quanto na sua composição , permitindo um resultado melhor e uma durabilidade maior . Os diversos tipos de placas e hastes usadas nas fraturas também tiveram uma evolução formidável. Mas , na minha opinião , um dispositivo relativamente recente merece um destaque especial e é  sobre ele que eu vou falar hoje : âncoras .

As âncoras permitem a fixação de tecidos moles ( ligamentos , tendões , cápsulas ) ao osso , permitindo a reparação de diversos tipos de lesões , sejam elas traumáticas ou degenerativas  . Basicamente , numa âncora , temos duas partes : a parte que ficará ancorada e fixa dentro do osso e que se parece normalmente com um parafuso e a outra parte que é um fio que servirá para prender o tecido solto ou um enxerto ao osso.  São muito utilizadas em cirurgias do ombro , mas também podem ser utilizadas em outros locais  como o cotovelo , o tornozelo , o  quadril , a mão e  o joelho . Para melhor entendimento de como utilizamos uma âncora , mostro o vídeo abaixo , que mostra como um tendão roto no ombro foi fixado ao osso por uma âncora:

Os fios presentes nas âncoras utilizados atualmente são extremamente resistentes e tem nomes comerciais variados : Fiberwire , Orthocord , Maxbraid , etc .  De tão resistentes , temos até dificuldade para cortá-los com as tesouras cirúrgicas e usamos nas artroscopias cortadores especiais bem afiados.

 Já as âncoras propriamente ditas podem ser metálicas ou não-metálicas . As primeiras desenvolvidas foram as metálicas e biomecanicamente falando são muito eficazes , garantindo uma fixação extremamente forte no osso. As desvantagens das âncoras metálicas são :

– quando usados próximas à articulação , como numa cirurgia de luxação do ombro , podem migrar ou ter parte dela exposta para dentro da articulação , causando grave dano à cartilagem articular ;

– em exames subsequentes porventura necessários , como uma ressonância magnética ,podem distorcer a imagem , dificultando um diagnóstico mais preciso ;

– em reoperações podem dificultar o novo procedimento .

As âncoras nao-metálicas são feitas em sua maioria de um derivado do ácido polilático , chamado  ácido poli-L-láctico (PLLA) .Parece um ” plástico ” . Estas são absorvíveis no médio prazo . Recentemente um novo polímero chamado PEEK  tem entrado na composição das âncoras , sendo um ” plástico inabsorvível “.

Uma última opção , ainda não disponível para o ortopedista aqui no  Brasil , é uma ” âncora ” composta somente de um fio de poliester extremamente resistente, como mostram a figura e o vídeo abaixo .

 

Fratura do fêmur no idoso – um desafio para os ortopedistas

Semana passada atendi no pronto-socorro um senhor de 73 anos que caiu no chão e fraturou o fêmur direito , próximo da bacia , na região do quadril . A radiografia mostrou claramente  o tipo de fratura , denominada  transtrocanteriana ,  já que envolvia a região trocantérica do fêmur. O ortopedista está sempre se deparando com este tipo fratura , cada vez mais frequente com o aumento da população idosa . Abaixo mostro a radiografia de entrada .

Fratura do lado direito , região transtrocanteriana

Este tipo de fratura exige invariavelmente o tratamento cirúrgico , para que o paciente consiga sentar-se e caminhar no período mais curto possível, evitando complicações decorrentes da imobilidade . Entre estas  complicações, podemos destacar : trombose venosa nos membros inferiores , escaras , processos pulmonares como pneumonia e embolia. A cirurgia normalmente é realizada nos primeiros dias após a fratura, assim que as condições clínicas do paciente permitam o procedimento cirúrgico .  O tratamento não cirúrgico fica restrito ‘aqueles casos em que uma anestesia não é possível de ser realizada ou outra condição especial esteja presente .

Com a evolução da ortopedia , das técnicas cirúrgicas e dos implantes ortopédicos , os resultados também melhoraram. O objetivo da cirurgia  é a estabilização da fratura ,permitindo que o paciente saia da cama o mais rápido possível . O alinhamento do membro inferior é também almejado  , com o intuito da consolidação da fratura adequadamente . Neste caso em particular , utilizamos um dispositivo chamado haste intramedular , fixando os fragmentos com um pino dentro do osso do fêmur e um parafuso canulado para o colo do fêmur , conforme mostra a imagem obtida durante a cirurgia e e ilustrada abaixo .

Fratura do fêmur estabilizada com haste intra-medular

Como dito acima , com a evolução da ortopedia e da medicina como um todo , os resultados destas fraturas tem melhorado .   Não obstante, é uma situação que exige muita atenção da equipe médica e que muda muito a rotina do paciente e de toda a família. Um professor meu  já dizia que uma fratura do fêmur num paciente idoso é um evento divisor de águas , dadas as enormes mudanças  impostas nesta situação .  O paciente , mesmo corretamente operado , fica inseguro para caminhar e necessita de um fisioterapeuta para reabilitá-lo . Os cuidados básicos de higiene tem de ser divididos com alguém , familiar ou não . Muitas vezes são pacientes que já possuem alguma outra doença e que , diante deste trauma , pode ser agravada ou descompensada. Isto explica alguns números em relação a esta fratura : cerca de 30% dos pacientes idosos com fratura do fêmur , dentro de um ano após a fratura,  podem ter uma complicação mais séria que pode levar até à morte .

Tendinite calcárea do ombro – cirurgia ? quando operar ?

Já escrevi outro dia – veja neste link – sobre a tendinite calcárea do ombro . Trata-se de quadro doloroso intenso e muitas vezes crônico , persistente , que incomoda os pacientes . Existem diversas formas de tratamento ( medicação , infiltração , fisioterapia ) que conseguem controlar este problema . Mas uma parte dos pacientes sofre com crises frequentes de dor e de limitação do movimento . Alguns pacientes reclamam que este problema os aflige por mais de 5 anos .Para esta parcela de pessoas , a cirurgia pode ser uma opção mais resolutiva e é justamente para estes casos mais difíceis que reservamos a cirurgia  .

Nesta situação, realizamos uma artroscopia do ombro , consistindo na retirada da  calcificação e na reparação do tendão danificado .   Abaixo podemos ver as radiografias ( pré e pós operatória) de um paciente submetido a cirurgia .

observe a calcificação sobre o tendão supraespinhal

a calcificação foi removida e uma âncora metálica foi utilizada para reparar o tendão envolvido

Abaixo disponibilizo um vídeo ilustrativo de uma artroscopia realizada para este fim:

Vamos parar de fumar !

Aproveito a bela entrevista que li na Folha para fazer propaganda de combate ao tabagismo, que todo médico deve fazer, independente da especialidade!
Abaixo deixo um link para a entrevista, que mostra dados interessantes da indústria do cigarro.

http://clinicaalamedas.wordpress.com/2012/03/18/brasil-deveria-ter-vetado-adicao-de-acucar-ao-cigarro/

Bursite – o que é e onde ocorre ?

Um dos nomes mais conhecidos na ortopedia é o da bursite , que é utilizado quando a bursa está inflamada . A bursa é uma bolsa presente em algumas articulações , preenchida por liquído e que tem a função de facilitar o deslizamento de tendões na articulação e também proteger proeminências ósseas . Atua como uma “almofada “. Encontramos bursas em diversas juntas , sendo as mais importantes : ombro , quadril , cotovelo , joelho , tornozelo e pé ( hálux ou “dedão”) .

Existem várias causas para ocorrer uma bursite : excesso de movimentos , traumas , infecção , processos reumatológicos e gota.

Abaixo mostro algumas figuras que ilustram alguns tipos de bursite :

Bursite do joelho

                     

Bursa do quadril

Bursite do ombro

Bursa do cotovelo

O tratamento da bursite deve ser individualizado , já que as causas são diversas . Medicamentos , fisioterapia, repouso , gelo e até cirurgia podem ser necessários , após a correta avaliação do ortopedista .Não muito tempo atrás , quase todas as dores do ombro ( rupturas dos tendões do manguito rotador, tendinite , capsulite ) eram chamadas de bursite e isso certamente levava a falhas de tratamento . Isso também vale para o quadril : algumas vezes , o que tratávamos como bursite , na verdade era um atrito da cabeça do fêmur com a bacia ( impacto fêmoro-acetabular ) e as queixas persistiam com o tratamento errado . É uma regra básica da medicina : com o melhor entendimento da doença , com o diagnóstico preciso e o tratamento adequado ,os melhores resultados aparecem .

Risco de queda diminui com sono adequado

A queda num paciente idoso sempre nos deixa apreensivos , dada a maior fragilidade óssea . O osso com osteoporose pode fraturar com mais facilidade , levando a tratamentos prolongados , com prejuízo para a mobilidade e qualidade de vida. Alguns casos podem levar até a  um evento fatal.

Alguns estudos mostraram que pacientes com um sono de má qualidade apresentam maior risco de queda . Veja maiores detalhes no link a seguir :

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3195964-EI298,00-Estudo+vincula+quedas+de+idosas+a+falta+de+sono.html

Acredito que isso pode ajudar os nossos idosos . Além disto , oriento também : não subir em escadas , usar o corrimão , evitar tapetes dentro de casa , deixar uma luz acesa próxima ao quarto durante a noite. E tomar muito cuidado com os buracos de nossas calçadas …