Dores no pescoço e uso de celular

Todos nós usamos telefones celulares . Todos os dias  e praticamente o dia todo . E o usamos não propriamente como telefone,  grudado ao ouvido , mas como um smartphone , lendo ou teclando nos diversos aplicativos disponíveis.  E este excesso de uso já vem causando problemas ortopédicos muito frequentes  em todas as faixas etárias . Além das tendinites e tenossinovites nos dedos das mãos e punhos , uma região que também vem sofrendo com esta atividade moderna é a região cervical . A procura por um ortopedista em relação a este problema tem aumentado.

Veja a figura abaixo :

 

Ela mostra que dependendo da inclinação do pescoço , o peso da cabeça “aumenta” , ou seja , a força aplicada na região cervical vai aumentando conforme vamos fletindo o pescoço , chegando a incríveis 27 kg quando estamos com 60 graus de flexão .  Isso vai colocando um stress grande sobre as vértebras , discos intervertebrais e músculos  . E este processo , no longo prazo , pode causar prejuízos graves. Inicialmente podemos sentir um leve desconforto local . Depois uma dorzinha de cabeça pode aparecer , torcicolos , contraturas ou outros sinais podem também ocorrer.  Em casos mais graves , degenerações dos discos ou hérnias discais dolorosas e incapacitantes podem surgir .

Assim , a informação é a primeira arma para evitar distúrbios mais sérios.  O auto policiamento , corrigindo posturas viciosas , é fundamental . Uma cadeira confortável também ajuda  . A angulação dos olhos , diminuindo a sobrecarga sobre o pescoço , também pode ser modificada . Exercícios de alongamentos  e fortalecimento desta região também devem ser rotineiramente realizados. E , acima de tudo , bom senso : como quase tudo na vida , o excesso deve ser combatido !

 

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As dores nos joelhos e a prática da corrida

Hoje  atendi um paciente de 47 anos, homem , com dores recorrentes no joelho, durante a prática de corrida. Em média,  corria três a quatro vezes por semana, na rua e também na esteira, de oito a doze km por corrida.  As dores já aconteciam há cerca de três anos, eram de leve intensidade, mais durante a corrida e apareciam mais quando ele aumentava um pouco o ritmo ou quando corria uma prova mais longa, como uma meia maratona.

Praticava também musculação e utilizava tênis adequados para o esporte. Ultimamente estava um pouco acima do peso , cerca de 3 kg, pecado atribuído às  férias que passou na casa da mãe.

Já tinha passado em outros médicos, feitos exames como ressonância, sem mostrar lesões importantes como ruptura do menisco ou desgaste da cartilagem. O exame físico era normal , sem deformidades , sem sinais sugestivos de algo mais sério . Foi tratado como ” tendinite do corredor ” , realizando fisioterapia e um pouco de repouso, com melhora  do quadro.

Também segui este raciocínio de sobrecarga dos outros colegas, orientei ajustar a dose de corrida ( diminuindo um pouco a frequência e a distância  ) , orientei fazer uma dieta e perder o peso que tinha a mais e também recomendei a prática de pilates. Tenho certeza que seguindo estes passos vai melhorar.

Descrevi este quadro porque é um quadro bastante comum com que deparamos nos últimos  anos nos consultórios ortopédicos. A corrida se popularizou muito e nos grandes centros as provas de 5 , 10 km e  outras distâncias atraem multidões. O prazer que a corrida proporciona ao final do esforço, a perda de peso que ela gera, a melhora da auto estima alcançada pelo corredor, entre outros benefícios à  saúde que o esporte traz , a vontade em superar os limites, um ou mais de um destes elementos muitas vezes conduz alguns a exagerar na dose, correndo mais do que o corpo aguenta. E é este excesso que pode levar a quadros mais simples como o descrito acima ou quadros mais complicados que também vamos com frequência.

Entre os problemas de joelho que encontramos nos corredores , poderia citar :

tendinite patelar ;

síndrome da banda íleo tibial ;

condromalácea patelar ;

artrose do joelho ;

– sinovite ;

lesões dos meniscos ;

– fratura de stress ;

– tendinite do quadríceps .

Cada um destes diagnósticos acima pode ser feito pela história , exame físico e eventualmente algum exame complementar .

Em relação ao tratamento , vai depender também do diagnóstico .

Normalmente é necessário um medicamento , um tempo de repouso , um período de fisioterapia e até uma cirurgia pode ser necessária dependendo do caso  .

Mas o que eu gosto de salientar em relação a esta atividade é que para cada paciente existe um ponto de equilíbrio , ou seja , um limite individual que deve ser respeitado . Gosto de ponderar que algumas pessoas tem uma maior reserva , seja ela de condicionamento cardiorespiratório ou de reserva ortopédica ( estrutural ) . Sem dúvida que ela pode ser modelada e aumentada , mas mesmo assim existe um limite . E pergunto , qual o limite de cada um ? Eu não consigo definir isto . O corredor tem que ter um pouco de bom senso , esquecer o que o seu amigo ao lado consegue de resultados . Tem que sentir o seu corpo e respeitar algum desconforto que pode com o tempo progredir para a dor . Um paciente obeso , de mais de 100 kg , pode ter fôlego para correr 5 , 10 km ou 1 hora ou mais , mas questiono se o seu joelho vai aguentar esta repetição por alguns meses . Questiono também corridas acima de 10 km para as  ” pessoas comuns ” . Não sou favorável a distâncias muito longas  , acredito que os prejuízos potenciais superam os benefícios . Assim , procuro descrever estes aspectos para que cada um posso encontrar o seu ponto de equilíbrio , em que possa de maneira saudável fazer um exercício por muito tempo.