Ruptura da fáscia plantar do pé

Hoje vou descrever uma lesão não muito frequente,  que acomete a região debaixo do pé .

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Local inicial da dor

O paciente deste caso relatou um início recente de dor no pé direito , na parte inferior deste , próximo do calcanhar , depois de um jogo de futebol . Como a dor era de leve intensidade , não atrapalhando seu dia-a-dia , não deu muita atenção e manteve suas atividades . Praticava esporte , futebol , bicicleta e corrida , numa frequência de 3x/ semana , em média. Estava dentro do peso adequado. Diante deste quadro imaginamos uma fasciite plantar , ou seja uma inflamação da fáscia plantar .

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Anatomia da fáscia plantar , um suporte para o pé

Depois de 15 dias , durante uma partida de futebol de campo , ao tentar um arranque , sentiu uma fisgada debaixo do pé , como se algo estivesse rasgando . Parou de jogar , mancou por cerca de 2 dias e tomou antiinflamatório por 5 dias , melhorando da queixa de dor .

Realizou uma Ressonância Magnética que mostro abaixo :

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Assim , foi feito o diagnóstico de uma ruptura aguda da fáscia plantar  e foi instituído o seguinte tratamento :

– gelo local nos primeiros dias ;

– repouso por 6 semanas de atividades físicas que exigiam corrida e arranque ;

-alongamentos globais de membros inferiores ;

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-sintomáticos , como analgésicos , se tivesse algum desconforto .

O paciente evoluiu bem e depois deste tratamento e pôde retornar às suas atividades esportivas .

Alguns comentários :

– a fasciite plantar , que precedeu a ruptura , normalmente tem acometimento mais crônico , mais devagar , evoluindo com dor principalmente pela manhã , ao acordar . Neste post de fasciite plantar complemento algumas informações interessantes : https://ortopediasp.wordpress.com/2012/07/03/fasciite-plantar-ou-esporao-do-calcaneo .

– a evolução da fasciite para uma ruptura aguda é rara , mas tem bom prognóstico , não necessitando de tratamento cirúrgico .

– neste caso o paciente fui eu mesmo .

Nice de novo , de novo legal ( nice again ) !

No começo do mês voltei à encantadora cidade de Nice , na maravilhosa região sul da França , para participar do congresso Nice Shoulder Course , do professor Pascal Boileau.

Estive lá dois anos atrás e novamente este ano tive a oportunidade de atualizar os conhecimentos na área de cirurgia do ombro . Com a participação de mais de 900 congressistas de 61 países  , o congresso reuniu os grandes nomes desta área da Ortopedia . Assuntos comuns do dia-a-dia e também casos mais raros foram colocados em discussão , aumentando assim nosso horizonte e permitindo uma abordagem mais racional para nossos pacientes .

A cirurgia de ombro da França tem uma tradição e vanguarda no cenário mundial e , com a simpatia , dedicação e trabalho árduo da equipe do Dr. Pascal , tem me ajudado a entender  e tratar melhor as patologias do ombro .

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Um congresso excepcional , num lugar maravilhoso

Mês passado estive num congresso muito interessante , que qualifico como o melhor evento de todos de que já participei  na área de cirurgia do ombro .  Foi na França , numa cidade muito charmosa chamada Annecy , próxima da Suíça . A pequena cidade que fica ao redor de um grande lago de mesmo nome é o local onde o renomado Dr. Laurent Lafosse recebe cirurgiões de todos os cantos do mundo , realizando um congresso baseado em cirurgias ao vivo . As indicações , as técnicas cirúrgicas , os detalhes , as complicações e dificuldades de cada operação  são expostas ao vivo , permitindo aos participantes adquirir uma experiência muito enriquecedora .

Abaixo deixo algumas fotos do local . Gostei tanto do congresso e da região que torço para que daqui a dois anos possa voltar para a próxima edição deste fantástico encontro !

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Hotel do congresso

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Fratura-luxação do ombro

Neste feriado atendi uma paciente com uma história inusitada. Relatava que três dias antes de me procurar, passeando num dos parques da Disney, em Orlando, ao sair de uma das atrações, se desequilibrou e caiu no chão. Ao apoiar a mão, tentando diminuir o impacto da queda, sentiu o ombro sair do lugar. Recebeu os primeiros socorros no parque e foi encaminhada a um hospital da região . Os médicos então fizeram o diagnóstico da situação : fratura-luxação do ombro . Eles  tentaram, sob anestesia, por mais de uma vez, reduzir o ombro, ou seja , colocá-lo no lugar. Infelizmente este procedimento não teve o objetivo alcançado e , diante disso, lhe disseram que teria de ser submetida a uma cirurgia. A paciente e seus familiares, sentindo-se inseguros em realizar tal procedimento no exterior, solicitaram  que tivesse alta e decidiram retornar ao Brasil para finalizar o tratamento. Mesmo com muita dor e imobilizada com tipóia, voaram de volta e imediatamente me procuraram.

Curiosamente, a mãe da paciente, anos antes, já tivera situação semelhante e fora por mim atendida no ps. Felizmente, naquele caso, tive sucesso em resolver a luxação do ombro com uma manobra simples de redução     .Abaixo ilustro como normalmente reduzimos uma luxação do ombro .

Voltando para o caso atual ,  avaliei a paciente clínica e radiograficamente e constatei   uma fratura-luxação do ombro , exatamente como lá nos EUA . Internei a paciente e , no dia seguinte pela manhã ,  a operei   .Abaixo mostro as imagens de raio-x e tomografia computadorizada antes da cirurgia.

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Não foi um caso fácil, o fato da cabeça do úmero ter ficado deslocada por 3 dias dificultou a redução , mas ao final da cirurgia conseguimos ter uma posição adequada do ombro , com uma fixação da tuberosidade maior com um parafuso e alguns pontos transósseos de alta resistência ( estes não observados na radiografia pós operatória ) . Abaixo estão as radigrafias pós-operatórias .

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Hoje , dois dias após a cirurgia , a paciente teve alta sem dor . Deverá ficar com uma tipóia por cerca de 5 semanas , começando uma fisioterapia dentro de um mês . Voltarei oportunamente a este caso para relatar a sua evolução final.

As dores nos joelhos e a prática da corrida

Hoje  atendi um paciente de 47 anos, homem , com dores recorrentes no joelho, durante a prática de corrida. Em média,  corria três a quatro vezes por semana, na rua e também na esteira, de oito a doze km por corrida.  As dores já aconteciam há cerca de três anos, eram de leve intensidade, mais durante a corrida e apareciam mais quando ele aumentava um pouco o ritmo ou quando corria uma prova mais longa, como uma meia maratona.

Praticava também musculação e utilizava tênis adequados para o esporte. Ultimamente estava um pouco acima do peso , cerca de 3 kg, pecado atribuído às  férias que passou na casa da mãe.

Já tinha passado em outros médicos, feitos exames como ressonância, sem mostrar lesões importantes como ruptura do menisco ou desgaste da cartilagem. O exame físico era normal , sem deformidades , sem sinais sugestivos de algo mais sério . Foi tratado como ” tendinite do corredor ” , realizando fisioterapia e um pouco de repouso, com melhora  do quadro.

Também segui este raciocínio de sobrecarga dos outros colegas, orientei ajustar a dose de corrida ( diminuindo um pouco a frequência e a distância  ) , orientei fazer uma dieta e perder o peso que tinha a mais e também recomendei a prática de pilates. Tenho certeza que seguindo estes passos vai melhorar.

Descrevi este quadro porque é um quadro bastante comum com que deparamos nos últimos  anos nos consultórios ortopédicos. A corrida se popularizou muito e nos grandes centros as provas de 5 , 10 km e  outras distâncias atraem multidões. O prazer que a corrida proporciona ao final do esforço, a perda de peso que ela gera, a melhora da auto estima alcançada pelo corredor, entre outros benefícios à  saúde que o esporte traz , a vontade em superar os limites, um ou mais de um destes elementos muitas vezes conduz alguns a exagerar na dose, correndo mais do que o corpo aguenta. E é este excesso que pode levar a quadros mais simples como o descrito acima ou quadros mais complicados que também vamos com frequência.

Entre os problemas de joelho que encontramos nos corredores , poderia citar :

tendinite patelar ;

síndrome da banda íleo tibial ;

condromalácea patelar ;

artrose do joelho ;

– sinovite ;

lesões dos meniscos ;

– fratura de stress ;

– tendinite do quadríceps .

Cada um destes diagnósticos acima pode ser feito pela história , exame físico e eventualmente algum exame complementar .

Em relação ao tratamento , vai depender também do diagnóstico .

Normalmente é necessário um medicamento , um tempo de repouso , um período de fisioterapia e até uma cirurgia pode ser necessária dependendo do caso  .

Mas o que eu gosto de salientar em relação a esta atividade é que para cada paciente existe um ponto de equilíbrio , ou seja , um limite individual que deve ser respeitado . Gosto de ponderar que algumas pessoas tem uma maior reserva , seja ela de condicionamento cardiorespiratório ou de reserva ortopédica ( estrutural ) . Sem dúvida que ela pode ser modelada e aumentada , mas mesmo assim existe um limite . E pergunto , qual o limite de cada um ? Eu não consigo definir isto . O corredor tem que ter um pouco de bom senso , esquecer o que o seu amigo ao lado consegue de resultados . Tem que sentir o seu corpo e respeitar algum desconforto que pode com o tempo progredir para a dor . Um paciente obeso , de mais de 100 kg , pode ter fôlego para correr 5 , 10 km ou 1 hora ou mais , mas questiono se o seu joelho vai aguentar esta repetição por alguns meses . Questiono também corridas acima de 10 km para as  ” pessoas comuns ” . Não sou favorável a distâncias muito longas  , acredito que os prejuízos potenciais superam os benefícios . Assim , procuro descrever estes aspectos para que cada um posso encontrar o seu ponto de equilíbrio , em que possa de maneira saudável fazer um exercício por muito tempo.

Curvas da coluna vertebral – cifose e lordose

Abaixo mostro uma radiografia digital de uma paciente de 52 anos com queixa de dor nas costas . Neste artigo discutirei brevemente alguns aspectos da imagem , sem entrar no tratamento do caso.

Nela podemos contemplar uma  bonita imagem do esqueleto , incluindo parte dos ossos do crânio , os ossos da coluna vertebral , o arcabouço torácico e parte da bacia . Do lado esquerdo temos uma visão de perfil e do lado direito temos uma visão frontal  .

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Ao desenharmos uma linha sobre os centros das vértebras , teríamos a seguinte imagem :

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Simplificadamente , poderíamos dizer que , vista de frente , a coluna descreve praticamente uma linha reta. Se formos mais rigorosos , observamos sim pequenas curvas , caracterizando uma leve escoliose .

Por outro lado , quando vista de perfil , a coluna apresenta duas curvas acentuadas , a curva lombar ( número 1) , chamada  lordose ,  e a curva torácica (número 2 ) , chamada cifose . Estas curvas estão presentes em todos nós , em maior ou menor grau . Quando aumentadas , podem trazer problemas estéticos , dor , problemas funcionais , entre outros . O envelhecimento , normalmente acompanhado por um grau de osteoporose , favorece muito o aparecimento da cifose acentuada ( idosos que ficam corcundas ) .