O futuro do gesso ou o gesso do futuro

Há pouco mais de 2 anos escrevi um artigo  no qual opinava sobre o uso do gesso na Ortopedia atual . O link deste artigo está aqui .

 Ontem , surfando na internet , vi um artigo que discutia como pode ser o gesso do futuro . O link deste artigo está aqui .

Para quem quer um resumo , explico o que ele diz : o gesso do futuro poderá ser feito por uma impressora 3D , com materiais mais leves e que permitam maior liberdade e conforto  para os pacientes . O banho , por exemplo, ficaria bem mais fácil .  Após o diagnóstico da fratura com o velho mas eficaz raio-x , o membro seria escaneado em 3D e uma impressora também 3D confeccionaria uma “armação” aberta , com poros , mas extremamente resistente , que faria a função do gesso , mas de uma forma mais confortável .

A imagem abaixo resume as etapas descritas :

A imagem a seguir mostra o gesso pronto e aplicado no membro .

Este tipo de gesso ainda não está disponível no mercado , está em fase de estudos e acho que vai demorar uns bons anos para chegar até os nossos hospitais, mas tenho certeza que será um realidade bem interessante para os ortopedistas e seus pacientes .

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O mais belo filme de ortopedia

Ontem , passeando pela internet , assisti a um pequeno filme e fiquei impressionado com a sua beleza e riqueza de detalhes. Mostra algumas opções de tratamento para as fraturas e lesões que encontramos na Ortopedia e Traumatologia . A situação , a perfeição da anatomia , a trilha sonora fantástica me deixaram fantasiado . Gostaria de partilhar esta emoção :

 

Ainda usamos gesso na ortopedia ?

Em relação a meu último artigo , em que mostro inúmeros dispositivos utilizados na ortopedia moderna , acho pertinente uma discussão sobre o uso do gesso para o tratamento de patologias ortopédicas e traumatológicas . Pode até parecer que o gesso é algo do passado , ultrapassado . Mas posso afirmar , com absoluta certeza , que seu espaço ainda está reservado para inúmeras situações .

Em relação a fraturas , não há  dúvidas que a evolução das técnicas cirúrgicas e de fixação fizeram  o gesso perder espaço . Fraturas da perna com desvio  ( tíbia e fíbula ) que antes eram tratadas com manipulação e com gesso por longos períodos , normalmente tem uma melhor e mais rápida evolução se bem reduzidas cirurgicamente e estabilizadas internamente ( com uma haste intramedular , como visto abaixo ).

Fraturas com pequeno ou sem desvio , no entanto , normalmente podem ser tratadas com gesso e evoluem bem , constituindo uma forma segura e barata de tratamento . Podemos lembrar até a existência do gesso sintético , mais resistente e leve que o tradicional  , que pode ser uma alternativa em alguns casos.

O gesso também sofre a concorrência de modernas órteses , mais leves , mais higiênicas e que permitem a mobilização articular mais precoce em determinados casos . Entorses de tornozelo ou fraturas de pé sem desvio , por exemplo , que antes eram tratados inicialmente com gesso , hoje podem ser tratadas com modernas botas , conhecidas por robofoot .

Um caso bastante interessante que diz respeito ao uso do gesso é o tratamento do pé torto congênito .  Ainda durante a  minha residência médica (fim da década de 90)  , acompanhávamos muitos casos deste problema sendo submetidos a cirurgias delicadas , com resultados nem sempre satisfatórios . Alguns anos depois , uma técnica chamada de Ponsetti , mostrava ótimos resultados para as crianças com pés tortos e ela é baseada totamente na utilização de gessos .

Na verdade , acho que o ortopedista deve avaliar bem cada paciente , saber as armas que estão disponíveis para solucionar aquele caso específico e discutir as opções de tratamento juntamente com seu cliente.