Materiais cirúrgicos ortopédicos – tenho que retirar ?

Quando realizamos uma cirurgia ortopédica e colocamos algum material ( implante  ) , é muito comum a dúvida que surge na cabeça do paciente : doutor, vou ter que tirar isso depois ?

A resposta para esta pergunta , atualmente , na maior parte das vezes , é não . Mas ela poderá variar dependendo do tipo de implante e também de possíveis sintomas que o paciente pode apresentar relacionados ao material implantado .

Dentre os principais implantes utilizados na ortopedia , destaco os materiais representados na figura abaixo ( placas e parafusos , fios de Kirschner , pinos intramedulares , materiais bioabsorvíveis ( parafusos , âncoras , fios ) .

Dos materiais acima mostrados , apenas os fios de Kirschner devem ser retirados de rotina. Estes servem de fixação temporária para que haja a consolidação de uma fratura e muitas vezes são deixados exteriorizados na pele para facilitar a sua retirada .

Os materiais bioabsorvíveis sofrem um processo de incorporação ao osso com o passar do tempo e raramente necessitam remoção .

Já os materiais metálicos podem, em algumas situações, causar irritação ao osso , aos músculos , aos tendões ou aos nervos adjacentes . Assim , um processo inflamatório pode se desenvolver e a retirada deste material pode ser necessária.

O ortopedista terá que determinar a correlação entre o incômodo que o paciente relata e a presença do material , já que sua retirada ‘as vezes pode ser trabalhosa e sua retirada poderá causar um enfraquecimento do osso onde o material estava implantado .

Paciente politraumatizado – fratura de fêmur , clavícula , joelho e costelas

Atendi um paciente de 49 anos , homem , que foi vítima de um acidente automobilístico nas ruas de São Paulo . Estava na posição de carona e o carro foi atingido lateralmente por um ônibus. Além dos achados que descreverei a seguir , um fato daria um contorno mais difícil a este caso : o paciente já fora vítima de outro acidente há mais de 20 anos e na ocasião foi submetido a uma amputação da perna , abaixo do joelho .

Os achados ortopédicos incluiam : fratura do fêmur direito , fratura do joelho direito , fratura da clavícula esquerda e fratura de costelas do lado esquerdo . Diante disto , decidimos pela estabilização das fraturas acima ,com exceção das costelas , que deverão consolidar naturalmente com o tempo . Usamos placas e parafusos na clavícula e no joelho e uma haste intra-medular no fêmur .Em relação ao pós-operatório , que ainda está no início , daremos atenção especial a fisioterapia para o joelho e o fêmur e que o paciente consiga sentar o mais precocemente possível . Não permitiremos a caminhada antes de 1,5 mês , porque houve a fratura da clavícula e o paciente não poderá usar nem andador e nem muletas e ainda usa uma prótese na perna esquerda . Abaixo coloca as radiografias pré e pós operatórias.

fratura da clavícula depois da cirurgia

fratura da clavícula antes da cirurgia

fratura do fêmur depois da cirurgia

fratura do fêmur antes da cirurgia

fratura do joelho antes da cirurgia

fratura do joelho depois da cirurgia