Dores no pescoço e uso de celular

Todos nós usamos telefones celulares . Todos os dias  e praticamente o dia todo . E o usamos não propriamente como telefone,  grudado ao ouvido , mas como um smartphone , lendo ou teclando nos diversos aplicativos disponíveis.  E este excesso de uso já vem causando problemas ortopédicos muito frequentes  em todas as faixas etárias . Além das tendinites e tenossinovites nos dedos das mãos e punhos , uma região que também vem sofrendo com esta atividade moderna é a região cervical . A procura por um ortopedista em relação a este problema tem aumentado.

Veja a figura abaixo :

 

Ela mostra que dependendo da inclinação do pescoço , o peso da cabeça “aumenta” , ou seja , a força aplicada na região cervical vai aumentando conforme vamos fletindo o pescoço , chegando a incríveis 27 kg quando estamos com 60 graus de flexão .  Isso vai colocando um stress grande sobre as vértebras , discos intervertebrais e músculos  . E este processo , no longo prazo , pode causar prejuízos graves. Inicialmente podemos sentir um leve desconforto local . Depois uma dorzinha de cabeça pode aparecer , torcicolos , contraturas ou outros sinais podem também ocorrer.  Em casos mais graves , degenerações dos discos ou hérnias discais dolorosas e incapacitantes podem surgir .

Assim , a informação é a primeira arma para evitar distúrbios mais sérios.  O auto policiamento , corrigindo posturas viciosas , é fundamental . Uma cadeira confortável também ajuda  . A angulação dos olhos , diminuindo a sobrecarga sobre o pescoço , também pode ser modificada . Exercícios de alongamentos  e fortalecimento desta região também devem ser rotineiramente realizados. E , acima de tudo , bom senso : como quase tudo na vida , o excesso deve ser combatido !

 

Dor no cotovelo : tendinite do tríceps

Hoje discutirei uma doença relativamente incomum no cotovelo , chamada de tendinite do tríceps . É bem menos frequente do que as epicondilites medial e lateral , mas também como estas ,  se caracteriza por um processo inflamatório de um  tendão .

O músculo tríceps é um músculo volumoso que se encontra na parte de trás do braço e se insere na região do cotovelo , mais precisamente numa parte da ulna chamada olécrano , através de um forte e espesso tendão , como observamos abaixo .Tem como função básica a extensão do cotovelo .

 

músculo triceps na parte posterior do braço

músculo triceps na parte posterior do braço

 

Atividades físicas exageradas , como treinos em academia de musculação , movimentos repetitivos ou pequenos  traumas  podem desencadear um quadro inflamatório , caracterizado por dor a determinados movimentos  ,  limitando ou não a extensão completa do cotovelo . Algumas vezes um inchaço local pode estar presente . A palpação do “ossinho”  saliente posterior  do cotovelo pode ser dolorosa .

O diagnóstico é normalmente fácil , baseado nos achados acima descritos . A história também é importante. Exames complementares como radiografias , ultrassonografias e ressonância magnética  podem ser solicitados em alguns casos.

O tratamento não costuma ser complicado , exigindo inicialmente do paciente uma modificação das atividades causadoras . Medicamentos antiinflamatórios , gelo local e fisioterapia normalmente também são prescritos pelo ortopedista , com alta taxa de cura num curto espaço de tempo.

tendao triceps

Subir escadas é um bom exercício para os joelhos e para o corpo ?

Recentemente , meu irmão , que mora no décimo-sexto andar de um prédio ,  relatou-me  que começou a subir pelas escadas até o seu apartamento  , complementando seu treinamento físico . Ele tem 43 anos, pratica corrida ,  natação , musculação , tem a supervisão de um treinador pessoal ( personal ) e está com o peso ideal . Enfim , é  um adulto saudável e nunca teve nenhuma queixa ortopédica , nenhuma dor ou lesão nos joelhos . Imediatamente comentei que , como ortopedista , não recomendava que continuasse a tal prática , porque poderia prejudicar futuramente seus joelhos. Ele aceitou  esta dica  .

Assim como ele , também recebo pacientes que dizem fazer esta atividade com frequência. Muitos deles são sedentários , estão acima do peso e “aproveitam” esta necessidade de subir as escadas para fazer pelo menos um exercício no dia . Calculam que estarão queimando algumas calorias e fortalecendo seus músculos .

Certamente que o  subir escadas ajuda a gastar calorias , como qualquer outra atividade que move o nosso corpo . Certamente que também solicita a musculatura das panturrilhas , das coxas , dos glúteos  , do coração . Existem máquinas modernas que simulam este movimento . O exercício de step das academias , com aulas movimentadas e músicas , também se assemelha a esta atividade. Professores de educação física destacam algumas vantagens para o condicionamento muscular e cardiovascular para esta atividade .

Mas ocorre que  a pressão exercida na articulação do joelho , mais precisamente na cartilagem da patela e do fêmur ( região patelo-femoral , região anterior do joelho  ) é muito grande quando executamos o subir  e descer escadas , assim como quando agachamos por longos períodos. Se a musculatura dos membros inferiores for forte e a pessoa estiver habituada a fazer exercícios , a sobrecarga deverá ser menor e um possível  dano a cartilagem  idem . Agora , pessoas não acostumadas a fazer exercícios com regularidade ( e músculos mais fracos ) , pessoas com sobrepeso , pessoas com histórico de dor no joelho , pessoas com diagnósticos de lesão da cartilagem ( lesão condral , condropatia ou condromalacea são sinônimos ) , devem evitar esta atividade , caso contrário podem  desenvolver ou piorar problemas nos joelhos .

Além disso , muitas vezes a pessoa está carregando uma mala ou mochila , usando um calçado inadequado , o que pode sobrecarregar a coluna ou os pés . Assim , de uma forma geral , eu desaconselho meus pacientes a realizar esta atividade com frequência . É lógico , para subir um ou dois andares , para poucos degraus , não vejo problema nenhum e até incentivo a movimentação  ativa . Mas atividades como aquela corrida de escadas que existe em Nova Iorque , subindo o Empire State Building , isto é uma fanfarronice ou caso primeiro para psiquiatria ! E depois , para Ortopedia !

Osteoartrose das mãos e deformidades nos dedos

É muito comum , principalmente entre as mulheres após os 60 anos , o aparecimento de deformidades nos dedos das mãos . Queixas como  ” meus dedos estão entortando ” ou  ” meus anéis não me servem mais ” são normalmente referidas ao ortopedista .
Na maior parte das vezes , trata-se de um processo degenerativo natural , chamado de osteoartrose ou osteoartrite . Os nódulos que aaparecem nas juntas dos dedos são chamados de nódulos de Heberden ( na interfalangeana distal ) e Bouchard ( na interfalangeana próximal) .

artose maos
O diagnostico é fácil e feito fundamentalmente pelo exame físico . As radiografias podem mostrar as deformidades ósseas e pequenos osteófitos locais ( saliências ósseas nas articulações ) .
Em relação ao tratamento , a orientação é o primeiro passo , esclarecendo o caráter benigno da situação . Se a dor estiver presente , algum analgésico ou anti-inflamatório pode ser prescrito . Também a fisioterapia analgésica pode ser solicitada. Alguns medicamentos anti-artrósicos , como diacereína ou glicosamina podem ser prescritos  . A cirurgia é uma alternativa muito raramente utilizada .

Cotovelo do tenista ou epicondilite lateral : dicas

Como ortopedista e como praticante de tênis , estou muito acostumado com esta ” doença ”  , também chamada de tennis elbow.
A epicondilite lateral é  bastante comum entre os praticantes desta modalidade e é difícil de encontrar um tenista amador que nunca tenha sentido algum tipo de dor no cotovelo .
Darei algumas dicas a seguir , baseados no meu conhecimento médico e também como jogador que já teve sua “carreira” atrapalhada , em algum momento ,  por este mal .

– uso da raquete : depois que comprei uma raquete “especial “para epicondilite , da marca Prokennex kinetic, meu cotovelo respirou aliviado . Acho que vale o investimento .  Não é uma raquete barata , mas quem tem epicondilite sabe o quanto isto atrapalha .  A dor , em alguns casos , chega a afetar  o desempenho profissional ( incomoda para digitar , carregar uma mala , cumprimentar uma pessoa e até para fazer cirurgias ! ) . Existem muitos  outros fatores técnicos a respeito do equipamento , que podem ser melhor compreendidos no seguinte artigo :

http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-03.htm

– respeite a dor , não exagere nas horas jogadas , evite dias seguidos sem descanso ;
– faca um fortalecimento adequado dos membros superiores ;
– tente melhorar a técnica do backhand  ;


– procure ajuda médica , o uso de medicamentos e fisioterapia são fundamentais em alguns casos ;
– em algumas situações , não tem jeito – você terá que ficar afastado das quadras por um bom tempo – 2 a 3 meses até resolver esta inflamação ;
– gelo pode ser usado , com alívio da dor.

–  uso de cotoveleiras ( tensores ) : não costumo indicar  , alguns jogadores relatam um pouco de conforto quando o usam ;

–  existem infiltrações , com corticóide ou com prp ( plasma rico em plaquetas ) que podem ser indicadas , prefiro deixá-las para situações extremas .

Osteocondroma na região do joelho – relato de caso

O osteocondroma é um tumor benigno e caracteriza-se pelo crescimento de osso ou cartilagem na superfície de um osso normal . Normalmente tem um formato de cogumelo . Mais comumente estão localizados próximos ao joelho ou ao ombro .  Podem ser únicos ou múltiplos ( osteocondromatose , esta tem componente genético e hereditário ) . O ortopedista que acompanha o caso pode optar pelo tratamento não cirúrgico ( mais usual ) ou pela cirurgia ( quando causa dor ou algum outro desconforto ).

Recentemente tratei um paciente jovem , de 15 anos , que reclamava de um caroço na região da coxa, próximo ao joelho.Havia notado  este caroço há mais de 3 anos e reclamava de dor quando praticava futebol ,  principalmente quando jogava muito ou quando tinha um contato direto , como numa dividida .Já tinham sido feitos exames de radiografia e de ressonância .que confirmaram a suspeita de osteocondroma , mas o paciente preferiu aguardar para operar.

]raio x

Abaixo mostro algumas fotos da cirurgia e depois de operado :

controle intraop

radiografia intra-operatória mostrando o formão utilizado para ressecção do tumor

pos operatorio

aspecto radigráfio após a retirada do tumor

aspecto macroscopico do tumor

aspecto macroscopico do tumor