Fratura-luxação do ombro

Neste feriado atendi uma paciente com uma história inusitada. Relatava que três dias antes de me procurar, passeando num dos parques da Disney, em Orlando, ao sair de uma das atrações, se desequilibrou e caiu no chão. Ao apoiar a mão, tentando diminuir o impacto da queda, sentiu o ombro sair do lugar. Recebeu os primeiros socorros no parque e foi encaminhada a um hospital da região . Os médicos então fizeram o diagnóstico da situação : fratura-luxação do ombro . Eles  tentaram, sob anestesia, por mais de uma vez, reduzir o ombro, ou seja , colocá-lo no lugar. Infelizmente este procedimento não teve o objetivo alcançado e , diante disso, lhe disseram que teria de ser submetida a uma cirurgia. A paciente e seus familiares, sentindo-se inseguros em realizar tal procedimento no exterior, solicitaram  que tivesse alta e decidiram retornar ao Brasil para finalizar o tratamento. Mesmo com muita dor e imobilizada com tipóia, voaram de volta e imediatamente me procuraram.

Curiosamente, a mãe da paciente, anos antes, já tivera situação semelhante e fora por mim atendida no ps. Felizmente, naquele caso, tive sucesso em resolver a luxação do ombro com uma manobra simples de redução     .Abaixo ilustro como normalmente reduzimos uma luxação do ombro .

Voltando para o caso atual ,  avaliei a paciente clínica e radiograficamente e constatei   uma fratura-luxação do ombro , exatamente como lá nos EUA . Internei a paciente e , no dia seguinte pela manhã ,  a operei   .Abaixo mostro as imagens de raio-x e tomografia computadorizada antes da cirurgia.

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Não foi um caso fácil, o fato da cabeça do úmero ter ficado deslocada por 3 dias dificultou a redução , mas ao final da cirurgia conseguimos ter uma posição adequada do ombro , com uma fixação da tuberosidade maior com um parafuso e alguns pontos transósseos de alta resistência ( estes não observados na radiografia pós operatória ) . Abaixo estão as radigrafias pós-operatórias .

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Hoje , dois dias após a cirurgia , a paciente teve alta sem dor . Deverá ficar com uma tipóia por cerca de 5 semanas , começando uma fisioterapia dentro de um mês . Voltarei oportunamente a este caso para relatar a sua evolução final.

Luxação do cotovelo

Uma senhora de 88 anos caiu com a mão extendida no chão , procurou-me no PS com dor no cotovelo. Após uma análise do raio-x inicial , detectamos uma luxação do cotovelo , conforme mostra a figura abaixo :

Diante deste quadro , tivemos que realizar um procedimento chamado redução , que é a manipulação da articulação para que “ela se encaixe” novamente . O procedimento é realizado como mostra a figura abaixo :

Uma vez conseguida a redução , imobilizamos a paciente com gesso por 3 semanas e então iniciamos uma reabilitação fisioterápica . Hoje  , após 3 meses do trauma inicial , a paciente evoluiu para um quadro de boa movimentação , dor mínima e força normal para suas atividades normais . O raio-x final e o vídeo abaixo mostram a evolução do caso:

imobilização com gesso após a redução

raio-x final , com congruência articular e algumas calcificações periarticulares

Comentários : em uma luxação de cotovelo , temos que atentar para lesões ligamentares e fraturas , que podem inclusive levar a um tratamento cirúrgico. Temos que afastar também a existência de lesões vasculares e neurológicas , sabendo que a luxação é um trauma com muita energia .