Cotovelo do tenista ou epicondilite lateral : dicas

Como ortopedista e como praticante de tênis , estou muito acostumado com esta ” doença ”  , também chamada de tennis elbow.
A epicondilite lateral é  bastante comum entre os praticantes desta modalidade e é difícil de encontrar um tenista amador que nunca tenha sentido algum tipo de dor no cotovelo .
Darei algumas dicas a seguir , baseados no meu conhecimento médico e também como jogador que já teve sua “carreira” atrapalhada , em algum momento ,  por este mal .

– uso da raquete : depois que comprei uma raquete “especial “para epicondilite , da marca Prokennex kinetic, meu cotovelo respirou aliviado . Acho que vale o investimento .  Não é uma raquete barata , mas quem tem epicondilite sabe o quanto isto atrapalha .  A dor , em alguns casos , chega a afetar  o desempenho profissional ( incomoda para digitar , carregar uma mala , cumprimentar uma pessoa e até para fazer cirurgias ! ) . Existem muitos  outros fatores técnicos a respeito do equipamento , que podem ser melhor compreendidos no seguinte artigo :

http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-03.htm

– respeite a dor , não exagere nas horas jogadas , evite dias seguidos sem descanso ;
– faca um fortalecimento adequado dos membros superiores ;
– tente melhorar a técnica do backhand  ;


– procure ajuda médica , o uso de medicamentos e fisioterapia são fundamentais em alguns casos ;
– em algumas situações , não tem jeito – você terá que ficar afastado das quadras por um bom tempo – 2 a 3 meses até resolver esta inflamação ;
– gelo pode ser usado , com alívio da dor.

–  uso de cotoveleiras ( tensores ) : não costumo indicar  , alguns jogadores relatam um pouco de conforto quando o usam ;

–  existem infiltrações , com corticóide ou com prp ( plasma rico em plaquetas ) que podem ser indicadas , prefiro deixá-las para situações extremas .

Dor nas costas : fácil solução , difícil resolução . A vida caótica das grandes cidades e a medicina …

Hoje atendi uma senhorita de 30 anos com uma história bastante comum presente no consultório dos ortopedistas . Ela se queixava de dores nas costas , desde a região dorsal ( meio das costas ) , passando pela lombar e com irradiação para a coxa direita . A dor já vinha lhe incomodando há mais de 1 ano mas tinha piorado no último mês . Também se queixava de desconforto no joelho .

Com este quadro , de imediato já pensamos num problema mecânico na coluna , com irritação do nervo ciático ( irradiação para as pernas ) . Pergunto sobre a sua rotina diária : mora no ABC paulista , acorda às 6h , pega o transporte para o centro de São Paulo e chega ao serviço às 8h . Durante seu expediente , fica sentada na frente do computador na maior parte do tempo. Trabalha até as 17, 18h e depois retorna para a sua casa , chegando por volta das 20h , quando trânsito ajuda ! Tem um tempinho para as crianças , para o marido talvez , e o outro dia já está começando . Final de semana reserva para as coisas de casa e um pouquinho para os pequenos . São histórias parecidas como esta que ouvimos muitas e muitas vezes dos nossos pacientes . A vida moderna não está nada fácil nos grandes centros . Estamos escravos do trabalho e parece que vivemos para trabalhar e não que trabalhamos para viver .

Faço o exame físico , percebo que a paciente está gordinha ( pesa 78 kg , há um ano pesava 71 , o que dá um ganho de 10% ) . As dores na musculatura paravertebral ( ao lado da coluna , que ajuda a sustentá-la ) estão presentes , mas sem nenhuma gravidade maior . A falta de flexibilidade também me chama a atenção . O joelho apresenta uma crepitação , faz um crec-crec , parecendo faltar lubrificação .

Complemento com exames de raio-x simples . Eles me mostram uma pequena escoliose ,que a paciente já dissera possuir desde os 15 anos . Nada significativo , nada grave .
Caso solucionado : lombalgia mecânica , com irritação do nervo ciático , condropatia ( inflamação da cartilagem ) do joelho .

Se o diagnóstico foi fácil , a resolução do problema parece mais difícil . Prescrevi inicialmente uma medicação anti-inflamatória e algumas sessões de fisioterapia . A tomada do remédio e o alívio imediato da dor são a parte mais simples do tratamento . A realização da fisioterapia é factível , é um pouco chata de realizar , mas também pode ser cumprida pela maioria dos pacientes . Mas o resto do tratamento , que considero mais importante , é difícil de ser realizado , exigindo paciência ,  dedicação , perseverança e ….TEMPO .

Para resolvermos o problema da coluna , teremos que trabalhar alguns conceitos importantes :

1) perda de peso : o sobrepeso é causa importante de dor na coluna e de dor nos joelhos. Para perder peso , não existe fórmula simples , quem a descobrir ficará rico . A dupla exercício-dieta ajuda muito na perda de peso , mas como fazer isso trabalhando o dia inteiro , comendo fora de casa  , não tendo tempo para se exercitar ?

2) exercícios : além de ajudar a perder peso , os exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura da região lombar , abdominal , glúteos e membros inferiores garantem uma proteção para a coluna como um todo , diminuindo a ocorrência de problemas nos discos intervertebrais , nos nervos paravertebrais e nas articulações da coluna e da coluna com a bacia . Mas como fazer os exercícios, como conciliar sua realização com esta rotina maluca a que estamos submetidos ? Difícil de dizer …

3) ergonomia : como ficamos muito tempo sentados na frente do computador , é importante que fiquemos bem acomodados , já que vícios posturais podem agravar problemas da coluna lombar . Assim , uma cadeira confortável , uma boa mesa , um telefone adequadamente posicionado contribuem para tornar o dia menos desgastante.

Enfim , o cenário parece meio desanimador . O que penso , na verdade , é que a nossa cidade ( e sociedade)  está (ão) doente (s) e seus moradores obviamente sofrem as consequências desta desorganização social. A qualidade de vida das pessoas está deteriorada e um longo trabalho de reorganização social terá que ser desenvolvido para um resolvermos os problemas físicos dos pacientes -moradores da nossa metrópole.

Atualização : ontem escrevi este post , hoje li na Folha uma interessante entrevista de um pensador italiano , na qual ele pondera :

TEORIA…

Hoje, a força de trabalho é composta apenas por um terço de operários, outro terço de trabalhadores intelectuais em funções executivas (bancário, recepcionista etc.) e um último terço de funcionários com atividades criativas (jornalista, profissional liberal, cientista etc.).

Se o trabalho for repetitivo, cansativo, chato, de subordinação, reduz-se a uma escravidão, a uma tortura, a um castigo bíblico. Nesse caso, a única defesa consiste em trabalhar o menos possível, pelo menor número de anos possível.

Mas se, em vez disso, for uma atividade intelectual e criativa –que corresponde à nossa vocação e ao nosso profissionalismo–, então ocupa toda nossa inteligência e satisfaz nossas necessidades de auto-realização. Nesse caso confunde-se o trabalho com o estudo e com o lazer, transformando o trabalho em ócio criativo.

Na vida pós-industrial, organizada para produzir principalmente ideias, não existe trabalho e não existe horário. Existe apenas ócio criativo, que dura 24 horas, mesmo quando se dorme e se produz ideias sonhando.

…E PRÁTICA

As empresas ainda não se deram conta deste novo momento global. A oferta de trabalho diminui e a procura por trabalho cresce, mas as empresas não reduzem a carga horária. Poderíamos trabalhar todos e pouco, mas alguns trabalham dez horas por dia enquanto seus filhos estão desempregados.

As tecnologias da informação possibilitam o teletrabalho, mas todos continuam a trabalhar nas empresas. A produção de ideias precisa de autonomia e de liberdade, mas as empresas tornam-se cada vez mais burocráticas. As distâncias culturais entre os chefes e os funcionários diminuem, mas as das faixas salariais aumentam. As empresas pregam colaboração, mas estimulam competitividade.

Entorse do tornozelo e lesão ligamentar

Uma das lesões mais comuns com que o ortopedista se depara no pronto-socorro é o entorse de tornozelo . Um torção pode apresentar-se de diversas maneiras e pode causar diferentes danos nas estruturas desta região . Pode acometer apenas os ligamentos , pode afetar os ossos causando fraturas , pode causar uma lesão na cartilagem e em alguns casos mais sérios pode lesar estruturas vasculares e nervosas.

Neste post vou me ater  ‘as lesões ligamentares e vou exemplificar esta lesão com uma situação dramática que acometeu ” nosso hermano Messi ” ano passado . Sofreu uma entrada criminosa do beque e as imagens e o vídeo abaixo mostram a gravidade da lesão :


O que mais surpreendeu neste caso foi a rápida recuperação que o jogador teve . Depois de 2 semanas de afastamento , ele voltou a jogar os 90 minutos e até fez um gol na partida Barcelona x Mallorca .  Certamente que a sua estrutura física ajudou nesta reabilitação , mas acredito que a fisioterapia corretamente aplicada teve papel decisivo no sucesso deste tratamento . Muitas vezes os pacientes relatam ter feito 20 ou 30 sessões de fisioterapia sem melhora do quadro de dor . Mas , quando perguntamos com mais detalhes como foi executada a fisioterapia, descobrimos que ela não foi bem executada.

O tratamento deve ser individualizado , levando-se em conta diversos aspectos , como a atividade esportiva do paciente , a sua idade , o seu biotipo , o histórico de entorses pregressos , entre outros.

Normalmente , numa fase inicial ,  imobilizamos de alguma forma o tornozelo, orientamos o uso de gelo local e medicamos com analgésicos e anti-inflamatórios. A fisioterapia precoce e a resposta individual de cada paciente, supervisionado pelo médico e fisioterapeuta , determinarão o tempo deste tratamento e o momento certo de retorno ao esporte ou as atividades cotidianas.

A lesão ligamentar isolada , num primeiro momento , raramente requer um reparo cirúrgico . Reservamos esta opção para aqueles casos de instabilidades crônicas , com grande frouxidão residual e que não obtiveram boa resposta diante de um tratamento conservador.

Em alguns casos , podemos também usar tornozeleiras para prevenir a ocorrência ou repetição de um entorse.