Fratura do fêmur no idoso – um desafio para os ortopedistas

Semana passada atendi no pronto-socorro um senhor de 73 anos que caiu no chão e fraturou o fêmur direito , próximo da bacia , na região do quadril . A radiografia mostrou claramente  o tipo de fratura , denominada  transtrocanteriana ,  já que envolvia a região trocantérica do fêmur. O ortopedista está sempre se deparando com este tipo fratura , cada vez mais frequente com o aumento da população idosa . Abaixo mostro a radiografia de entrada .

Fratura do lado direito , região transtrocanteriana

Este tipo de fratura exige invariavelmente o tratamento cirúrgico , para que o paciente consiga sentar-se e caminhar no período mais curto possível, evitando complicações decorrentes da imobilidade . Entre estas  complicações, podemos destacar : trombose venosa nos membros inferiores , escaras , processos pulmonares como pneumonia e embolia. A cirurgia normalmente é realizada nos primeiros dias após a fratura, assim que as condições clínicas do paciente permitam o procedimento cirúrgico .  O tratamento não cirúrgico fica restrito ‘aqueles casos em que uma anestesia não é possível de ser realizada ou outra condição especial esteja presente .

Com a evolução da ortopedia , das técnicas cirúrgicas e dos implantes ortopédicos , os resultados também melhoraram. O objetivo da cirurgia  é a estabilização da fratura ,permitindo que o paciente saia da cama o mais rápido possível . O alinhamento do membro inferior é também almejado  , com o intuito da consolidação da fratura adequadamente . Neste caso em particular , utilizamos um dispositivo chamado haste intramedular , fixando os fragmentos com um pino dentro do osso do fêmur e um parafuso canulado para o colo do fêmur , conforme mostra a imagem obtida durante a cirurgia e e ilustrada abaixo .

Fratura do fêmur estabilizada com haste intra-medular

Como dito acima , com a evolução da ortopedia e da medicina como um todo , os resultados destas fraturas tem melhorado .   Não obstante, é uma situação que exige muita atenção da equipe médica e que muda muito a rotina do paciente e de toda a família. Um professor meu  já dizia que uma fratura do fêmur num paciente idoso é um evento divisor de águas , dadas as enormes mudanças  impostas nesta situação .  O paciente , mesmo corretamente operado , fica inseguro para caminhar e necessita de um fisioterapeuta para reabilitá-lo . Os cuidados básicos de higiene tem de ser divididos com alguém , familiar ou não . Muitas vezes são pacientes que já possuem alguma outra doença e que , diante deste trauma , pode ser agravada ou descompensada. Isto explica alguns números em relação a esta fratura : cerca de 30% dos pacientes idosos com fratura do fêmur , dentro de um ano após a fratura,  podem ter uma complicação mais séria que pode levar até à morte .

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Paciente politraumatizado – fratura de fêmur , clavícula , joelho e costelas

Atendi um paciente de 49 anos , homem , que foi vítima de um acidente automobilístico nas ruas de São Paulo . Estava na posição de carona e o carro foi atingido lateralmente por um ônibus. Além dos achados que descreverei a seguir , um fato daria um contorno mais difícil a este caso : o paciente já fora vítima de outro acidente há mais de 20 anos e na ocasião foi submetido a uma amputação da perna , abaixo do joelho .

Os achados ortopédicos incluiam : fratura do fêmur direito , fratura do joelho direito , fratura da clavícula esquerda e fratura de costelas do lado esquerdo . Diante disto , decidimos pela estabilização das fraturas acima ,com exceção das costelas , que deverão consolidar naturalmente com o tempo . Usamos placas e parafusos na clavícula e no joelho e uma haste intra-medular no fêmur .Em relação ao pós-operatório , que ainda está no início , daremos atenção especial a fisioterapia para o joelho e o fêmur e que o paciente consiga sentar o mais precocemente possível . Não permitiremos a caminhada antes de 1,5 mês , porque houve a fratura da clavícula e o paciente não poderá usar nem andador e nem muletas e ainda usa uma prótese na perna esquerda . Abaixo coloca as radiografias pré e pós operatórias.

fratura da clavícula depois da cirurgia

fratura da clavícula antes da cirurgia

fratura do fêmur depois da cirurgia

fratura do fêmur antes da cirurgia

fratura do joelho antes da cirurgia

fratura do joelho depois da cirurgia