Anatomia e basquete

Gosta de basquete? Gosta de medicina ? Gosta de esporte? Gosta de ortopedia ? Este livro é maravilhoso , cheio de ilustrações que mostram exercícios físicos para melhorar seu desempenho na quadra, evitar lesões ou lhe ajudar numa reabilitação. Serve também apenas para contemplar a fantástica máquina humana!
Dentro deste contexto, acabei de assistir ao documentário Arremesso Final ( The Last Dance) na Netflix, que mostra a trajetória de Michael Jordan e do hexacampeonato do Chicago Bulls. No início da carreira, Michael já era habilidade pura. Mas ainda era um pouco franzino. Para conquistar tudo o que conquistou, logo percebeu que era necessário muito músculo e caprichou na malhação! Um dos autores deste livro é o médico do time do Chicago Bulls.
Abaixo algumas imagens do livro , com o grupo muscular que é trabalhado em determinado exercício e com o gesto esportivo correspondente .

Retorno ao futebol após a pandemia

Após uma longa espera , as atividades físicas devem ser retomadas nas próximas semanas , de acordo com as autoridades de saúde .

Pensando em voltar a jogar o seu futebolzinho depois de meses parado? Vá com calma!

Muita gente perdeu massa muscular , outros engordaram um pouquinho , a capacidade cardiovascular deve estar alterada , bem como os reflexos e a flexibilidade articular . Assim , volte devagar para diminuir a chance de lesões musculares e articulares . Além disso , veja que a Fifa tem um programa de exercícios, chamado Fifa 11 + , que reduz em mais de 30% a chance de lesões no futebol .
A melhor forma de tratar é atráves da prevenção !!!
O poster abaixo mostra resumidamente os exercícios indicados neste programa e logo depois deixei um vídeo bem feito para te guiar .

Uma boa academia ou pilates podem ser alternativas interessantes também .
Se você já tiver algum histórico ortopédico , redobre os cuidados e boa sorte .

Patela ou rótula : para que serve a ” bolachinha ” do joelho ?

A patela é um dos quatro ossos que formam o joelho , os outros são o fêmur distal na parte superior e a tíbia e a fíbula na parte inferior , conforme observamos nas figuras abaixo .

Também conhecida como rótula, a patela é um pequeno osso na frente do joelho. Ela é responsável por conectar os músculos do quadril e da coxa com a perna.

Podemos ver abaixo a musculatura da coxa e sua relação com a patela e a perna .

Além de proteger a região anterior da articulação do joelho, a patela tem a função de facilitar a extensão do joelho e aumentar o braço de alavanca do quadríceps, atuando como uma roldana e resultando em maior força no movimento de extensão.

O vídeo abaixo mostra como a presença da patela melhora a mecânica do joelho . A falta da patela traz uma perda considerável de força para esticar a perna .


Para que tenhamos uma patela funcionando bem , a musculatura íntegra é fundamental , agindo como uma joelheira natural . Manter os músculos que agem sobre ela equilibrados, fortalecidos e alongados é a principal maneira de evitar problemas na patela . E isso inclui a musculatura abdominal , lombar e glútea.

Vamos salvar os meniscos (2) !

Recentemente já tinha falado sobre a importância dos meniscos dos joelhos , destacando as suas funções de absorção de impacto e de estabilização articular  . E tinha comentado também sobre a importância da sua preservação , na medida do possível , quando ocorre uma lesão meniscal .

Assim , recentemente , tive a oportunidade de realizar uma cirurgia de sutura meniscal ou meniscorrafia , quando costuramos o menisco lateral , preservando-o. Era uma lesão grande , chamada lesão em alça de balde .

O paciente teve um entorse banal do joelho em sua própria casa e me procurou após ser atendido num pronto-socorro , quando o ortopedista solicitou uma ressonância magnética. Este exame acusou a lesão meniscal e a cirurgia foi indicada . Utilizamos um dispositivo especial chamado FastFix . Abaixo mostro os vídeos da artroscopia que realizamos , o primeiro mostra a lesão e o segundo mostra a costura propriamente dita . Para uma experiência até mais agradável , sugiro ver o vídeo em velocidade aumentada 2x .

A animação abaixo mostra de uma forma bem didática o que fizemos :

 

Vamos salvar os meniscos !

Há 2 semanas tive uma  grata oportunidade de participar de um congresso na bela cidade italiana de Bolonha que tratava de um assunto  bem particular : um congresso centrado nos meniscos dos joelhos. O nome deste evento é ” The Meniscus ” e já vem acontecendo a cada 3 anos .

menisco bolonha

Neste congresso , ortopedistas de várias partes do mundo  ( a maioria era da Europa e Ásia )  discutiram as mais recentes informações sobre vários aspectos sobre estas estruturas fundamentais para o saudável funcionamento do joelho . Destaco os principais tópicos abordados neste congresso :

  • anatomia revisitada , com estudos modernos , mostrando detalhes importantes e a correlação no tratameto  ;
  • biomecânica ;
  • mecanismos de lesão ;
  • tipos de lesão meniscal ( destaque para lesões apenas mais recentemente melhor compreendidas – “ramp lesion ” e ” root lesion ” ( lesão da raiz meniscal );
  •  como suturar um menisco ( o que chamamos de meniscorrafia )  , preservando-o  , com detalhamento de modernas técnicas e novos materiais que facilitam o tratamento ;
  • complicações após a retirada do menisco ( meniscectomia ) ;
  • indicações e técnicas para substituição do menisco ( implantes artificiais ou transplantes de menisco de cadáver )
  • tratamento de lesões associadas , como lesões ligamentares e cartilaginosas

crachá menisco

Foram três dias de intenso aprendizado e atualização que  poderei colocar em prática imediatamente . Sedimentou ainda mais um conceito difundido de preservação dos meniscos  , já que a literatura não deixa dúvidas da sua extrema importância para o perfeito funcionamento do joelho.

 

As dores nos joelhos e a prática da corrida

Hoje  atendi um paciente de 47 anos, homem , com dores recorrentes no joelho, durante a prática de corrida. Em média,  corria três a quatro vezes por semana, na rua e também na esteira, de oito a doze km por corrida.  As dores já aconteciam há cerca de três anos, eram de leve intensidade, mais durante a corrida e apareciam mais quando ele aumentava um pouco o ritmo ou quando corria uma prova mais longa, como uma meia maratona.

Praticava também musculação e utilizava tênis adequados para o esporte. Ultimamente estava um pouco acima do peso , cerca de 3 kg, pecado atribuído às  férias que passou na casa da mãe.

Já tinha passado em outros médicos, feitos exames como ressonância, sem mostrar lesões importantes como ruptura do menisco ou desgaste da cartilagem. O exame físico era normal , sem deformidades , sem sinais sugestivos de algo mais sério . Foi tratado como ” tendinite do corredor ” , realizando fisioterapia e um pouco de repouso, com melhora  do quadro.

Também segui este raciocínio de sobrecarga dos outros colegas, orientei ajustar a dose de corrida ( diminuindo um pouco a frequência e a distância  ) , orientei fazer uma dieta e perder o peso que tinha a mais e também recomendei a prática de pilates. Tenho certeza que seguindo estes passos vai melhorar.

Descrevi este quadro porque é um quadro bastante comum com que deparamos nos últimos  anos nos consultórios ortopédicos. A corrida se popularizou muito e nos grandes centros as provas de 5 , 10 km e  outras distâncias atraem multidões. O prazer que a corrida proporciona ao final do esforço, a perda de peso que ela gera, a melhora da auto estima alcançada pelo corredor, entre outros benefícios à  saúde que o esporte traz , a vontade em superar os limites, um ou mais de um destes elementos muitas vezes conduz alguns a exagerar na dose, correndo mais do que o corpo aguenta. E é este excesso que pode levar a quadros mais simples como o descrito acima ou quadros mais complicados que também vamos com frequência.

Entre os problemas de joelho que encontramos nos corredores , poderia citar :

tendinite patelar ;

síndrome da banda íleo tibial ;

condromalácea patelar ;

artrose do joelho ;

– sinovite ;

lesões dos meniscos ;

– fratura de stress ;

– tendinite do quadríceps .

Cada um destes diagnósticos acima pode ser feito pela história , exame físico e eventualmente algum exame complementar .

Em relação ao tratamento , vai depender também do diagnóstico .

Normalmente é necessário um medicamento , um tempo de repouso , um período de fisioterapia e até uma cirurgia pode ser necessária dependendo do caso  .

Mas o que eu gosto de salientar em relação a esta atividade é que para cada paciente existe um ponto de equilíbrio , ou seja , um limite individual que deve ser respeitado . Gosto de ponderar que algumas pessoas tem uma maior reserva , seja ela de condicionamento cardiorespiratório ou de reserva ortopédica ( estrutural ) . Sem dúvida que ela pode ser modelada e aumentada , mas mesmo assim existe um limite . E pergunto , qual o limite de cada um ? Eu não consigo definir isto . O corredor tem que ter um pouco de bom senso , esquecer o que o seu amigo ao lado consegue de resultados . Tem que sentir o seu corpo e respeitar algum desconforto que pode com o tempo progredir para a dor . Um paciente obeso , de mais de 100 kg , pode ter fôlego para correr 5 , 10 km ou 1 hora ou mais , mas questiono se o seu joelho vai aguentar esta repetição por alguns meses . Questiono também corridas acima de 10 km para as  ” pessoas comuns ” . Não sou favorável a distâncias muito longas  , acredito que os prejuízos potenciais superam os benefícios . Assim , procuro descrever estes aspectos para que cada um posso encontrar o seu ponto de equilíbrio , em que possa de maneira saudável fazer um exercício por muito tempo.