Prótese da cabeça do rádio – 5 anos de pós operatório

A fratura da cabeça do rádio , na maioria das vezes , é de tratamento não cirúrgico . Quando a fratura ocorre sem que os fragmentos estejam desalinhados ou distantes da posição normal , o tratamento com um período de gesso ou tipóia , seguido de uma fisioterapia adequada , tem um bom resultado . Normalmente o paciente fica sem dor e os movimentos voltam à normalidade.

Quando ocorre uma fratura com alguns fragmentos que se deslocam ou quando o osso se despedaça  , uma cirurgia pode ser necessária.  Em alguns casos conseguimos remontar o osso , fixando os pequenos fragmentos à posição normal com delicados parafusos . Em outros casos , a reconstrução não é possível e uma substituição da cabeça do rádio é feita com a implantação de uma prótese . Foi o que fiz neste caso . A paciente foi operada há cerca de 5 anos , retornou comigo recentemente para avaliar uma outra queixa ( dor no joelho ) . Aproveitei para fazer uma revisão de como estava seu cotovelo e pude constatar uma articulação praticamente normal , sem dor e boa movimentação , como demonstra o vídeo abaixo , seguido das radiografias atuais.

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Fratura-luxação do ombro

Neste feriado atendi uma paciente com uma história inusitada. Relatava que três dias antes de me procurar, passeando num dos parques da Disney, em Orlando, ao sair de uma das atrações, se desequilibrou e caiu no chão. Ao apoiar a mão, tentando diminuir o impacto da queda, sentiu o ombro sair do lugar. Recebeu os primeiros socorros no parque e foi encaminhada a um hospital da região . Os médicos então fizeram o diagnóstico da situação : fratura-luxação do ombro . Eles  tentaram, sob anestesia, por mais de uma vez, reduzir o ombro, ou seja , colocá-lo no lugar. Infelizmente este procedimento não teve o objetivo alcançado e , diante disso, lhe disseram que teria de ser submetida a uma cirurgia. A paciente e seus familiares, sentindo-se inseguros em realizar tal procedimento no exterior, solicitaram  que tivesse alta e decidiram retornar ao Brasil para finalizar o tratamento. Mesmo com muita dor e imobilizada com tipóia, voaram de volta e imediatamente me procuraram.

Curiosamente, a mãe da paciente, anos antes, já tivera situação semelhante e fora por mim atendida no ps. Felizmente, naquele caso, tive sucesso em resolver a luxação do ombro com uma manobra simples de redução     .Abaixo ilustro como normalmente reduzimos uma luxação do ombro .

Voltando para o caso atual ,  avaliei a paciente clínica e radiograficamente e constatei   uma fratura-luxação do ombro , exatamente como lá nos EUA . Internei a paciente e , no dia seguinte pela manhã ,  a operei   .Abaixo mostro as imagens de raio-x e tomografia computadorizada antes da cirurgia.

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Não foi um caso fácil, o fato da cabeça do úmero ter ficado deslocada por 3 dias dificultou a redução , mas ao final da cirurgia conseguimos ter uma posição adequada do ombro , com uma fixação da tuberosidade maior com um parafuso e alguns pontos transósseos de alta resistência ( estes não observados na radiografia pós operatória ) . Abaixo estão as radigrafias pós-operatórias .

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Hoje , dois dias após a cirurgia , a paciente teve alta sem dor . Deverá ficar com uma tipóia por cerca de 5 semanas , começando uma fisioterapia dentro de um mês . Voltarei oportunamente a este caso para relatar a sua evolução final.

Dicas para uso de gelo na Ortopedia

O uso do gelo na Ortopedia é muito frequente . Pode ser utilizado em diversas situações , como :

– em processos traumáticos agudos  ( contusões , entorse , luxações e fraturas ) ;

– processos crônicos , como tendinites , bursites , sinovites , artrite ou artrose ;

– pós-operatórios .

O ortopedista pode dar algumas dicas para que o gelo seja usado de forma mais eficaz e segura :

1) em traumas , deve ser iniciado o mais brevemente possível , antes que o inchaço se estabeleça . Nestas situações , seu uso após as 48 horas passa a ser menos importante ;

2) pode ser feita uma massagem suave , alterando-se a posição do gelo enquanto aplicado ;

3) principalmente nos membros inferiores , deve-se também deixar o local em posição mais elevada em relação ao coração , o que também favorece a diminuir o inchaço ;

4) deve-se tomar cuidado com o tempo de aplicação do gelo . Em linhas gerais , quanto menor a área , menos tempo de aplicação , devendo-se evitar períodos maiores do que 15 a 20 minutos . Depois que  a região resfriada tenha se aquecido novamente , o que se dá em média após 45 minutos , nova rodada de gelo poderá ser realizada . Pode-se repetir este processo várias vezes , dependendo da disponibilidade e paciência do paciente.

5) existem alguns dispositivos especiais para este fim ,como bolsas de borracha , bolsas de gel , joelheiras ou ombreiras . Na falta destes , um saco plástico com gelo picado é uma boa alternativa . É importante colocar uma fina toalha ou tecido com o intuito de prevenir queimaduras térmicas na pele .

    

Uma bela entrevista sobre equilíbrio

Hoje estava ouvindo a rádio CBN , hábito que tenho sempre que estou dentro do carro e também muitas vezes quando estou na frente do computador , e ouvi uma entrevista muito interessante realizada com o Dr. Marco Aurélio Bottino, diretor do setor de otoneurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo , que falou sobre alguns pontos interessantes para o entendimento do equilíbrio e sobre a falta deste , motivo de muitas quedas , principalmente nos idosos. E quedas que levam a fraturas .

Vale a pena conferir neste link .

Fraturas aumentam após cirurgia para redução de peso

Um  estudo exposto no último Congresso Americano de Endocrinologia  mostrou que pacientes que foram submetidos a cirurgia bariátrica para redução de peso   tiveram 2,3 vezes mais chances de sofrer uma fratura quando comparados com a população geral.

As alterações ósseas decorrentes da cirurgia , com as mudanças metabólicas e nutricionais relacionadas ao pós-operatório destes pacientes , levam a uma maior chance de fratura .

O estudo pequisou cerca de 280 pacientes que foram operados entre 1987 e 2004  . O pesquisador Nakamura notou também que pacientes que tinham uma atividade física mais ativa antes da cirurgia tiveram menos fraturas . Observou também que aqueles que tiveram fraturas não necessariamente tinham desenvolvido osteoporose. Leia mais neste link.

Opinião : a cirurgia bariátrica é uma poderosa ferramenta no tratamento das obesidades mais severas e vejo alguns resultados muito animadores no dia-a-dia como ortopedista . Não raramente encorajo alguns pacientes a refletir e pesquisar sobre o assunto. Mas é um passo que tem que ser muito bem avaliado pelo paciente e equipe médica , pois são várias as possibilidades de complicação , como a relatada aqui .

Quanto tempo demora para uma fratura consolidar ( colar , calcificar )?

Quanto tempo um osso quebrado demora para grudar ? Certamente esta é uma pergunta muito comum  na Ortopedia, mas  que não pode ser respondida de uma única maneira . As fraturas tem características muito distintas entre si , levando-se em conta inúmeros aspectos , que podemos ilustrar a seguir :

– tipo do traço da fratura : pode ser um traço simples (completo ou incompleto) , múltiplos traços ( fratura cominutiva ) ,traço espiralado ,etc. Os traços mais complexos geralmente levam mais tempo para consolidar ;

– idade: crianças tem um potencial de remodelação óssea maior que adultos e idosos , além de possuírem um metabolismo mais acelerado , o que de uma forma geral pode acelerar a consolidação . Além disso , os ossos são menores e isso também torna o processo mais rápido ;

– fratura exposta: nesta situação o osso fraturado se expõe para fora da pele . Pode estar associado a perda de músculos, de vasos sanguíneos , de pele e até de parte do osso  ,  facilitando um processo infeccioso e retardando a consolidação óssea ;

– qualidade da redução e estabilização da fratura : para que haja formação da ponte óssea entre as extremidades fraturadas , estas devem estar próximas e bem alinhadas . Se os ossos estiverem desalinhados , o médico deverá alinhá-los ( cirurgicamente ou não) e mantê-los alinhados ( com gesso , com órteses , com placas , parafusos ou outros instrumentos ) . Se não houver um bom contato , pode haver a formação de uma pseudoartrose ( consolidação inadequada ) ou uma não consolidação do osso ;

– estado nutricional do paciente : a consolidação óssea requer bastante energia e nutrientes . Certamente ,  pacientes debilitados ou com alterações metabólicas terão maior dificuldade para resolução de uma fratura ;

Estes são apenas alguns fatores que definem o tempo de tratamento de uma fratura . Apenas para dar uma dimensão de tempo ,cito  alguns exemplos abaixo :

– uma fratura de clavícula num recém-nascido pode estar “colada” em 2 a 3 semanas , exigindo pouca imobilização ;

– uma fratura de tíbia tratada com gesso pode exigir de 2 a 3 meses para consolidar ;

– uma fratura de fêmur exposta com múltiplos fragmentos pode demorar de 6 a 8 meses para curar , mesmo submetida a tratamento cirúrgico e muitas vezes envolvendo diversos profissionais da área de saúde.

O processo de consolidação óssea é um processo biológico , de intenso metabolismo , que poderia ser dividido nas fases abaixo ilustradas :

O ortopedista , através das radiografias que são tiradas ao longo do tratamento , pode observar a consolidação óssea . O tempo entre as radiografias depende de cada caso e somente o médico pode definir.  Em algumas situações de dúvidas , o médico poderá solicitar algum exame complementar , como uma tomografia , para melhor esclarecimento . Abaixo mostro uma sequência de radiografias de uma fratura de úmero , tratada cirurgicamente , que mostra a consolidação óssea :

P.S.:  Tenho recebido muitas perguntas de leitores me perguntando  quando podem tirar o gesso,  quando podem apoiar o pé em determinada situação , muitas vezes após uma cirurgia . Esclareço , mais uma vez , que as fraturas se comportam muito diferentemente umas das outras e que , somente o médico , através do exame físico , da história detalhada do paciente e das radiografias a que tem acesso  , pode determinar estes  ” detalhes ” . Sendo assim , não posso fazer consulta pela internet e nem sempre posso esclarecer estas dúvidas . Portanto , terei que excluir os comentários que caírem nesta situação.

Pseudoartrose da diáfise do úmero

Relato hoje um dos casos mais difíceis e desfiadores que já operei. Uma senhora de 49 anos me procurou no pronto-socorro com dor no braço esquerdo. Sua história era ter sofrido um acidente de carro há mais de 20 anos , com várias fraturas , incluindo o úmero esquerdo . Fora submetida a mais de 5 operações neste braço ,sem sucesso. Usava um aparelho para manter o braço parcialmente imobilizado – uma órtese de Sarmiento.

As radiografias iniciais do braço estão mostradas abaixo :

Órtese de Sarmiento
Pseudoartrose do úmero
 fratura da placa e desvio

A paciente tinha a sensação que a placa e a haste se tocavam , o que causava um intenso desconforto . Além disso , tinha limitação para usar este membro , dificuldade para utilizar sua mão esquerda .Conversamos a respeito das possibilidades de operá-la mais uma vez , explicando que atualmente temos algumas opções de placas mais apropriadas ,mais estáveis .A cirurgia consistiu na retirada do material anterior(parafusos , placa e haste ) , da retirada da fibrose e do tecido desvitalizado , da colocação de uma placa adequada e colocação de enxerto ósseo. Após 2 meses de cirurgia a paciente relata estar bastante satisfeita , sem dor , sem déficits neurológicos , com boa mobilidade neste membro . Abaixo mostro uma radiografia do pós-operatório.Coloco também um vídeo do resultado : http://www.youtube.com/watch?v=-TAodkaujUI

"Mega-placa" do ombro ao cotovelo